Mostrando postagens com marcador Ações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ações. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Análise Técnia: Teoria Dow

O índice Dow Jones tem este nome em homenagem a Charles Dow e Edward Jones, que viveram nos E.U.A no final do século XIX. Em 1903, um ano após a morte de Charles Dow, suas idéias foram compiladas em um livro chamado “ABC of Stock Speculation” (ABC da especulação em ações). Em 1932 foi lançado um livro intitulado “Dow Theory” (Teoria Dow), que trazia os princípios da Teoria Dow.


Estes princípios serviram de base para diversas outras teorias lançadas no campo da Análise Técnica. Os princípios são:
  • Os índices descontam tudo.
A oferta e demanda por determinado ativo é influenciada por todas as informações acessíveis pelos participantes de mercado. Como os preços dos ativos são afetados pela relação da oferta com a demanda, o preço reflete um consenso, mesmo que momentâneo, dos participantes deste mercado, que levam em consideração todas as informações disponíveis no momento de sua tomada de decisão. “Os gráficos descontam tudo!”.
  •  O mercado se move em três tendências.
Para Dow, uma tendência de alta seria caracterizada por topos e fundos ascendentes e uma tendência de baixa seria caracterizada por topos de fundos descendentes.
As três tendências são: primária, secundária e terciária. A tendência primária é a principal, mais longa e a mais importante das tendências. A tendência primária, segundo Dow teria uma duração superior a um ano, podendo durar alguns anos. A tendência secundária, ou intermediária, representa correções na tendência principal e, geralmente, dura de três semanas a alguns meses. Estas correções geralmente corrigem o movimento prévio entre 1/3 a 2/3. Na maior parte corrige em 1/2. A tendência terciária é a mais curta, com duração menor que três semanas e são correções na tendência secundária.

No gráfico ao lado, a tendência A é a maior, mais demorada e mais importante de todas, a tendência primária. A tendência B é a secundária e representa as correções dentro da tendência primária. As tendências terciárias, de menor duração, são representadas pelas setas menores e representam as correções dentro da tendência secundária.
  • As tendências mais longas possuem três fases.
A primeira fase é a da acumulação e é caracterizada pela entrada de investidores astutos e bem informados na direção contrária a tendência de mercado. Começam a comprar quando, em uma tendência de baixa, o pessimismo do mercado atinge o seu auge. A segunda fase é a fase da participação da massa, quando as notícias melhoram e os rallys de mercado ganham força, é nesta fase que os trend-followers (seguidores de tendência) começam a tomar posição. A terceira e última fase é a distribuição, onde as notícias a favor da tendência atingem seu auge e onde a participação do público cresce junto com o volume. Durante esta última fase, os investidores astutos e bem informados começam a realizar lucros e se desfazerem de suas posições.
  • Princípio da confirmação.
Este é o princípio mais difícil de se compreender. Na época de Chales Dow existiam dois índices: Industrial e de Ferrovias. O princípio da confirmação diz que a tendência deve ser confirmada por, pelo menos, dois índices de formulações diferentes. Assim, uma tendência no índice industrial deveria ser confirmada por uma tendência na mesma direção no índice de Ferrovias.
  • O volume deve confirmar a tendência.
Em uma tendência de alta, quando os preços sobem, os volumes devem subir também e quando os preços recuarem, os volumes devem recuar também. Esta regra do volume é mais importante nas tendências de alta.
  • Uma tendência somente acaba quando dá sinais definitivos de sua reversão.
Enquanto houver topos e fundos ascendentes, caracterizando uma tendência de alta, ou topos e fundos descendentes, caracterizando uma tendência de baixa, estaremos dentro de uma tendência. Esta tendência somente será revertida quando houver falha nestas sequências, como no gráfico abaixo:

O ativo ao lado vinha de uma tendência de alta, com topos e fundos ascendentes, até que fez um topo (topo B) mais baixo que o topo anterior (topo A). O sinal de reversão (reta pontilhada) foi dado quando o fundo anterior foi perdido.
Este é o primeiro de uma série de textos que explicará os principais conceitos de Análise Técnica e as suas aplicações no mercado de ações brasileiro. Nos próximos textos mostrarei as diferentes representações gráficas utilizadas pelos analistas técnicos, como identificar uma tendência, suportes, resistências, padrões de reversão, padrões de continuação, as médias móveis entre outras ferramentas de AT. Até a próxima!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Home broker das pequenas corretoras é seguro ou não? Eis a questão!

Com frequência os pequenos investidores têm o receio de operar através de home brokers de pequenas corretoras. O principal temor é o de uma eventual perda dos recursos aplicados através de uma eventual "quebra" das mesmas. Na maioria dos casos, a escolha de home brokers de grandes instituições, teoricamente mais sólidas, é feita as custas de altas taxas de corretagem e/ou custódia, que podem inviabilizar boa parte de suas operações.

Afinal, é seguro colocar seus recursos em uma pequena corretora?


A resposta é SIM. Primeiramente é importante ressaltar que as ações e derivativos adquiridos são sempre registrados em nome do investidor, e não no nome da corretora. A corretora é meramente um intermediário. Além disso, a BMF&BOVESPA, através da BSM (Bovespa Supervisão de Mercado), disponibiliza aos participantes dos mercados de ações, mercadorias e derivativos o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP). Através do MRP, são assegurados ressarcimentos de prejuízos decorrentes de:

  • inexecução de ordens ou execução errônea;
  • uso inadequado de numerário e de valores mobiliários ou outros ativos, inclusive em relação a operações de financiamento ou de empréstimo de valores mobiliários;
  • entrega ao investidor de valores mobiliários ou outros ativos ilegítimos ou de circulação restrita;
  • inautenticidade de endosso em valores mobiliários ou outros ativos, ou ilegitimidade de procuração ou documento necessário à sua transferência; e
  • encerramento das atividades.

O valor assegurado é de até R$ 70 mil. Para isso a corretora deve ser autorizada pela BMF&BOVESPA. Para mais informações sobre o MRP, clique aqui. Com segurança para operar com as pequenas corretoras, podemos economizar preciosos recursos.

Em uma consulta rápida aos sites das corretoras brasileiras encontraremos custos de corretagem que variam de R$ 20,00 por operação, para corretoras ligadas a grandes instituições financeiras, até R$ 2,90 por operação em pequenas corretoras (geralmente não ligadas a instituições financeiras). Pode parecer pouco, especialmente para quem opera grandes quantias. Mas, a corretagem pode influenciar e muito suas operações.

Lembre-se que para realizar um investimento mercado de ações, mercadorias e derivativos são necessárias duas operações: uma compra e uma venda (ou vice-versa). Ou seja, uma corretagem de R$ 20,00 por operação implica em um custo total de R$ 40, somente com corretagem. Caso você opte por uma corretora menor, seu custo total será de apenas R$ 5,80.

Para quem opera uma quantia de R$ 4 mil por operação, pagar R$ 40 em corretagem significa um custo de 1%. Ou seja, para se obter algum ganho com a operação, é necessário que suas ações, mercadorias ou derivativos gerem um ganho de pelo menos 1% apenas e tão somente para cobrir os custos de corretagem. Ao pagar R$ 5,80, o custo com corretagem cai para 0,15%, ou seja, qualquer variação superior a 0,15% gera ganhos para o investidor. Uma baita diferença!

O custo de corretagem não é o único fator a ser levado em conta no momento da escolha de uma corretora, porém não pode e nem deve ser desprezado.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Bolsa de valores: algumas diferenças entre Análise Técnica e Análise Fundamentalista

No último post sobre ações (Por onde começar a investir em ações?), introduzi os conceitos básicos de AT e AF. Agora pontuarei as principais diferenças entre ambas, bem como os seus pontos fortes e fracos.

Apesar da crença dos fundamentalistas no movimento caótico dos preços no mercado, os mesmos acreditam que o mercado convergirá para o que chamam de preço alvo (target price) do ativo, com o passar do tempo. Assim, a única importância que dão para os preços do ativo, no presente, é estimar o potencial de queda ou subida (upside e downside) do mesmo, em outras palavras, saber se o ativo está “barato” ou “caro” em relação ao seu valor “real” ou “justo”.


A AT, assim como a AF, também parte do princípio de que os movimentos de preços no mercado são caóticos, porém, os analistas técnicos acreditam na existência de padrões que se repetem no tempo e que, através do domínio da ferramenta correta, seja possível identificar e se antecipar a estes movimentos com probabilidades favoráveis.

Estes movimentos passíveis de mapeamento são explicados, em boa parte, pelo comportamento humano. A AT entende que, pelo fato de o mercado ser criado e movido pelo homem, existem algumas reações padrões frente a determinadas circunstâncias, que podem ser captadas e identificadas com alguma antecedência e com razoável margem de acerto.

Pontos Fortes e Fracos da AT e AF:

Existem situações onde uma técnica é mais adequada que outra. Por exemplo, a AT desempenha melhor que a AF em prazos mais curtos, como horas, dias, semanas ou poucos meses. A AF desempenha melhor em prazos mais longos, como operações que duram anos.

A AT não performa bem em ativos com baixa liquidez (baixo volume), nestes casos a AF é mais recomendada.

Uma das limitações da AF é que fatores que não aparecem no balanço podem destorcer por completo a análise. Por exemplo, recentemente, no mercado de ações brasileiro, operações feitas no mercado de câmbio por algumas empresas brasileiras levaram as mesmas a grandes prejuízos e, conseqüentemente, aqueles que detinham suas ações. Aracruz Celulose e Sadia foram os exemplos mais recentes de que, até as empresas “sólidas”, com anos de tradições e líderes de mercado, estão sujeitas a este tipo de operação.

A AT, por sua natureza, gera muitos trades. Possui também uma infinidade de indicadores, que se não forem bem estudados e selecionados, podem causar confusão. O excesso de trades eleva os gastos com corretagem, o que pode transformar trades lucrativos em deficitários. Os gastos com software de AT, corretagem, emolumentos, custódia, IR, ISS entre outros são custos que não devem ser desprezados, principalmente pelos pequenos investidores.

O ponto forte da AT é o fato de ser acessível ao pequeno investidor e ao público geral. A maioria de suas ferramentas é de fácil compreensão, não requerendo nenhum tipo de conhecimento profundo de matemática ou economia para se ter acesso a elas. Isso a tornou bastante popular, principalmente nos E.U.A, onde é muito utilizada por pessoas físicas e até grandes instituições financeiras. No Brasil, nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais freqüente a presença de analistas técnicos nas mesas de operações das grandes instituições financeiras.

As diferenças são inúmeras entre as técnicas e ambas possuem seus pontos fortes e fracos, limitações e, mesmo assim, ainda continuam sendo as melhores técnicas de análises de ativos disponíveis no mercado. Todo indivíduo que esteja pensando em investir na bolsa deveria conhecer alguma destas duas técnicas antes de se aventurar no mercado.

O que não pode acontecer é a tomada de decisões no mercado com base no “achismo”, com base em notícias de jornais ou opiniões de amigos e conhecidos. Independentemente da técnica utilizada, é importante ter em mente que o mercado não obedece a uma ciência exata, os retornos não são garantidos e as oportunidades e os riscos são muitos. Porém, é possível captar informações que possam desequilibrar, a seu favor, a probabilidade natural que existe de 50% entre o “certo” e o “errado”.

Como sou estudioso de AT, vou introduzir alguns conceitos de Análise Técnica e suas respectivas aplicações nos meus próximos textos.

Artigo escrito por Gustavo Garcia.

Artigos relacionados:

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Por onde começar a investir em ações?

O conhecimento de uma técnica de análise de ativos evita transformar o investimento em ações num jogo de azar. Assim como em um cassino, um sujeito pode ter "sorte" e conseguir algum resultado positivo no curto prazo. Porém, se este jogador continuar com as apostas repetidas vezes e por um longo período de tempo, a banca tende a  levar todo o seu capital. No caso das ações, o mercado é equivalente a banca.

Ao contrário do que muitos imaginam, não é necessário nenhum diploma de doutorado em economia ou matemática para ter acesso e entender estas técnicas. Para conhecê-las bastam apenas tempo e força de vontade.


As técnicas de análise de ativos se dividem basicamente em duas: Análise Técnica (AT) e Análise Fundamentalista (AF). Os analistas técnicos, como são conhecidos aqueles que fazem suas análises com base na AT, utilizam-se dos gráficos dos ativos para tomar suas decisões no mercado. Os analistas que se utilizam da AF fazem suas análises com base em fatores que influenciariam o desempenho da empresa, tais como dados de balanço, do setor, da economia entre outros.

A AF se baseia na existência de uma relação de causa-efeito entre os fundamentos de uma empresa e o desempenho de suas ações na bolsa de valores, mesmo que esta relação não seja instantânea. Estudando os fatores que influenciariam o desempenho de uma empresa, os fundamentalistas acreditam conseguir estimar o real valor da empresa e, por conseqüência, o real valor de suas ações, estimando se há ou não potencial de ganho quando comparado com o preço atual das ações no mercado.

A AT, por sua vez, acredita que toda informação necessária se reflete no preço do ativo. Os gráficos e indicadores são os únicos instrumentos de análise. Com eles, os analistas técnicos tentam captar possíveis alterações na relação demanda x oferta por determinado ativo. As notícias, os fundamentos das empresas, conjuntura política, bem como os indicadores econômicos são desconsiderados. Para os analistas técnicos: “o gráfico desconta tudo!”.

Ambas as técnicas possuem suas vantagens e desvantagens, bem como uma série de limitações e incertezas. Afinal, a análise de ativos busca entender um mercado que não segue uma ciência exata. Toda análise possui uma chance de dar certo, com o ativo indo na direção desejada. Por outro lado, toda probabilidade tem o seu complementar. Por exemplo: a probabilidade de estar “certo” tem como complementar a probabilidade de não estar “certo”. Ainda não inventaram uma ferramenta de análise que acerte em 100% dos casos.

Se o mercado seguisse padrões exatos não haveria a possibilidade de se obter ganhos nele. Antes de se conhecer qualquer tipo de análise de ativos, tem que se ter em mente que perdas, invariavelmente, acontecerão. Por exemplo, uma estratégia com probabilidade de 70% de caminhar na direção desejada tem o seu complementar, que é a probabilidade de não seguir na direção desejada (100% - 70% = 30%), ou seja, de cada 10 operações realizadas, 7 seguirão o caminho esperado e 3 não seguirão, em média. Ter isto em mente é muito importante antes de se entrar no mercado.

Quando o ativo não segue na direção desejada temos que ter um plano B, uma espécie de saída de emergência. Esta saída de emergência é conhecida na AT como Stop Loss ou simplesmente Stop. Assim como as saídas de emergência, que podem salvar vidas em caso de uma fatalidade, o Stop é o que o manterá vivo no mercado, mas este é um assunto para outro artigo.

O essencial é começar a estudar algum tipo de técnica de análise antes de investir em ações. O mercado está cheio de oportunidades e armadilhas. A técnica correta pode ajudá-lo a distinguir o que é oportunidade do que é uma armadilha. Apesar de não ter 100% de acerto, algumas ferramentas de AT podem chegar a ter 75%, suficientes para gerar bons ganhos. As ferramentas são relativamente simples e estão ao alcance de todos que queiram conhecê-las.

No meu próximo post falarei mais a respeito das principais diferenças entre AT e AF, bem como os seus pontos fortes e fracos. Em breve será lançada uma série de artigos descrevendo as bases e as principais ferramentas da AT e a sua aplicabilidade prática no mercado de ações.

Artigo escrito por Gustavo Garcia.

Artigos relacionados:

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ações e o "longo prazo". Ou: "Buy and Hold" ou "Buy and Hope"?

O ditado popular de que ação é um investimento para o “longo prazo”, geralmente é seguido pela estratégia de ir adquirindo um único ativo, de uma empresa “reconhecidamente sólida”, aos poucos, ao longo de meses ou anos, na esperança de que, no “longo prazo”, este ativo gere vultosos rendimentos.

Essa estratégia carrega uma série de problemas e armadilhas. Primeiro, como escrevi no meu último artigo “Ações: o que saber antes de investir?”, fica difícil saber o que é “longo prazo”. Até porque o significado de “longo prazo” varia de pessoa para pessoa. Exemplo: uma pessoa que se encontre na melhor idade, tem uma noção de “longo prazo” muito diferente da noção de uma criança ou adolescente.

Segundo, comprar ativos de uma única empresa faz aumentar o risco do investimento, como bem demonstrou Flávio Girão no seu artigo “Por que diversificar? Ou: devo colocar todos os ovos em uma única cesta?”. Outra pergunta de difícil resposta é: o que é uma “empresa sólida”? Essa empresa ainda vai existir no momento em que eu começar a resgatar meus investimentos?

Ao longo da história, apesar das principais bolsas de valores de todo o mundo continuarem funcionando até os dias atuais, muitas empresas, que já tiveram seus papéis negociados nestas mesmas bolsas, já não estão mais presentes, seja na bolsa, seja na sociedade. Algumas foram incorporadas, outras se fundiram e outras tantas faliram. Quando uma empresa fecha capital, recompra suas ações no mercado através de ofertas públicas. E se o preço da ação estiver muito abaixo do seu Preço Médio?

O sistema “Buy and hold” (B&H) consiste em ir adquirindo, regularmente, ações de grandes empresas, com elevados volumes de negociação em bolsa de valores (conhecidas como “blue chips”) e ficar com elas por um longo período de tempo. “Blue chips” são consideradas ações de primeira linha. Porém, os riscos, ao contrário do que se pensa, são muitos. Um dos problemas é a falta de garantias de que essa empresa existirá no “longo prazo”, já que não existe empresa inquebrável e a história está cheia de exemplos.

Fora do Brasil, o banco Lehman Brothers, fundado em 1850, foi o último grande exemplo de que até as empresas centenárias e "sólidas" estão sujeitas a desaparecerem. Se algum investidor estava fazendo B&H com as ações do Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento norte-americano que não resistiu à crise econômica de 2008, certamente incorreu em prejuízo irrecuperável. Alguns deles, inclusive, não vão conseguir recuperar o capital perdido à tempo de se aposentar.

No Brasil, recentemente, tivemos alguns exemplos de empresa líderes de seu segmento e que ou foram adquiridas, ou se fundiram, ou desapareceram. O problema é o momento em que estes episódios aconteceram. Boa parte das ações encontrava-se com preços baixos. Quem estava fazendo Preço Médio com essas ações, dependendo do momento que entraram na bolsa, ainda estão correndo atrás do prejuízo.

Exemplos recentes de Sadia, Aracruz Celulose, Sharp, Net e Tam, nos servem como reflexão. São, ou eram, empresas reconhecidas e consideradas por muitos profissionais do mercado, em algum momento, como empresas “sólidas”. Dependendo do período em que uma pessoa tenha entrado na bolsa, se decidiu fazer B&H com os papéis de alguma dessas empresas, deve estar tentando recuperar o capital perdido até hoje. Quem entrou no IPO da Net, viu seu dinheiro virar pó. Pode ser até que muitos nunca mais recuperem o capital perdido.

Quando um ativo encontra-se em clara e forte tendência de baixa, quais seriam as justificativas para se adquirir mais deste ativo? Quais são as razões que levam uma pessoa a colocar cada vez mais capital em uma empresa que está em franca decadência e caminhando a passos largos rumo ao abismo? A esperança. Esperança de que um dia as cotações destas empresas voltem a patamares altos, satisfazendo suas expectativas de rentabilidade. Esqueçem, porém, que não é papel do mercado satisfazer as espectativas de ninguém.

Muitos utilizam o argumento da empresa estar “barata”. Será que a empresa está realmente “barata”? Por que não pode estar “cara”? Por exemplo, quem comprou ações da Net após ela ter sido lançada na bolsa e ter caído 50%, achando que estava muito “barata”, se olhar para trás, verá que na verdade a ação estava caríssima. “Barato” e “caro” são relativos no tempo e espaço. Cem reais por um litro de água no Brasil pode ser "caro". Os mesmos cem reais por um litro de água no meio de um deserto pode se tornar "barato".

Além dos riscos relacionados à empresa, ainda se corre os riscos inerentes ao mercado. Riscos estes que estão mais relacionados à economia global, ao desempenho de um determinado país, de um determinado mercado (renda variável), de parâmetros da economia, em suma, são os riscos que não estão diretamente relacionados à empresa, mas que também são refletidos na cotação de suas ações em bolsa. Os riscos podem ser divididos em dois: risco não sistemático (aquele relacionado à empresa) e risco sistemático (relacionado ao mercado).

Por que colocar o futuro de seus investimentos nas mãos de uma só empresa? Se suas expectativas a respeito desta empresa não se concretizarem, e ela vier a fechar, o que será de seus investimentos? Ao contrário do que se costuma acreditar, os riscos incorridos na estratégia B&H são enormes. Não existe uma saída de emergência ou um plano B. A estratégia consiste, basicamente, em comprar e torcer (pergunta: a estratégia é Buy and Hold ou Buy and Hope?).

A melhor opção seria investir em algo imune a falência ou falta de negociação. Isso existe? Sim. Como é Gustavo? Você ficou maluco? Ainda não! Resposta: os índices. Enquanto houver negociação em bolsa, vão continuar existindo índices. Os índices das bolsas são compostos por um conjunto de ativos que têm como objetivo refletir o desempenho da mesma. São diversificados por natureza.

O IBOVESPA é o principal índice da bolsa de valores de São Paulo. O IBOV, que é o seu código no mercado, nada mais é que uma carteira teórica composta de ativos, geralemente representantes de diversos segmentos da economia, que visa refletir o desempenho da BOVESPA.

A diversificação das carteiras diminui seu risco. Assim, se um ativo de uma empresa que compõe o índice venha a ter um desempenho "fraco" em relação ao restante do mercado, ou até mesmo venha a virar pó, o prejuízo é diluído, já que o percentual de participação do ativo, no índice, é apenas uma pequena parte da carteira e não o todo da carteira, como aconteceria se o mesmo investidor fizesse B&H com as ações dessa empresa.

Como posso investir no índice? Existem diversas maneiras diferentes de se investir visando obter um desempenho parecido com o do IBOV. A primeira, e mais fácil, é a aquisição de cotas de fundos de investimentos em ações que tenham como referência o IBOVESPA. Qualquer pessoa que tenha conta em banco é capaz de fazer esse tipo de investimento. O problema são as altas taxas de administrações que comem boa parte dos rendimentos. Existem outras opções e elas serão abordadas futuramente.

Outra pergunta: é proibido investir em um único ativo? Não, mas para isso acontecer é necessário estudo e dedicação. É necessário conhecer bem a dinâmica do mercado, conhecer alguma técnica de análise de ativos e ter um manejo de risco muito bem definido. No primeiro texto escrevi a respeito das armadilhas do mercado e do dinheiro “fácil”. No mercado existem excelentes oportunidades prontas para serem aproveitadas por quem estiver preparado para aproveitá-las.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ações: o que saber antes de investir?


Com a queda da taxa de juros básica da economia brasileira nos últimos anos, e a consequente queda dos rendimentos dos fundos de renda fixa, o investidor começa a sentir a necessidade de buscar novas alternativas no mercado para seus investimentos. Nesse cenário, surge o mercado de renda variável como uma atraente alternativa.

O investimento em ações é indicado para aqueles que estejam dispostos a correr riscos, inclusive com a possibilidade real de obter rentabilidades negativas. O retorno não é garantido e os riscos são muitos, que se não forem bem mensurados, podem causar danos importantes ao patrimônio.

Muitos argumentam que ações são investimentos para “longo prazo” e que, no “longo prazo”, o desempenho da bolsa tende a superar o desempenho de investimentos em renda fixa. A primeira pergunta que vem a cabeça é: o que seria “longo prazo”, “médio prazo” e “curto prazo”? Caso essa pergunta seja respondida, outras surgem: estarei vivo no “longo prazo”? Vai superar o rendimento da renda fixa? Por quanto tempo vai superar? Um, dois, cinco, dez, trinta, cinquenta, cem ou trezentos anos? O momento atual é o melhor para se entrar na bolsa de valores? As dúvidas são muitas.

Pode ser que investindo na bolsa hoje, sua rentabilidade supere a rentabilidade da renda fixa nos dois próximos anos, fique abaixo nos outros oito anos e volte a superar após o décimo ano ou, num cenário alternativo e mais pessimista, venha a não mais superar os rendimentos dos investimentos em renda fixa. São vários os fatores que influenciam o desempenho dos mercados e, infelizmente, não temos como saber ao certo se ele vai subir ou cair nos próximos dias, meses ou anos. O que podemos e devemos fazer, através do domínio de ferramentas apropriadas, é estimar qual é o cenário mais provável.

Um fato é que, ao contrário do dito popular, ações não são investimentos apenas para “longo prazo”. Nada impede que seja um bom investimento para prazos mais curtos. Tendo o domínio da técnica correta de análise de ativos, é possível investir em ações visando obter lucros em minutos, horas, dias, semanas, meses ou anos. Não é o “longo prazo” que traz retorno, mas sim a técnica apropriada. Aliás, ao contrário do que muitos acreditam, o “longo prazo” não nos gera nenhuma garantia de retorno (assunto para um próximo post).

Para aqueles que estejam pensando em começar a investir em ações, não é indicado começar “operando” por conta própria, a não ser que já se tenha uma boa base de conhecimento de alguma técnica de análise e um controle de risco muito bem definido. A armadilha do dinheiro "fácil" pode ser muito perigosa. Em casos extremos seu dinheiro pode virar pó.

Operar sem conhecimento de nenhuma técnica, equivale a dirigir um carro de Fórmula 1 quando se está acostumado a dirigir apenas carros convencionais. Os resultados tendem a ser os piores possíveis. Operar baseado em notícias de jornais, onde você é o último e o jornalista o penúltimo a saber a notícia, não é uma boa estratégia, da mesma maneira como operar por conselhos de amigos, especialistas, por “achismo” ou relatórios de corretoras e bancos.

Dirigir um carro de Fórmula 1 leva tempo de aprendizado, sendo necessária uma boa preparação. Os pilotos se preparam ao longo de anos e, mesmo com toda essa preparação, o sucesso não é garantido e os riscos de estarem pilotando a 300 km/h ainda existirão, mesmo que esses riscos sejam muito menores quando comparados aos de uma pessoa despreparada.

A mesma coisa acontece as ações. As oportunidades realmente existem, mas para aproveitá-las é necessário que haja conhecimento. Os riscos nunca deixarão de existir, mas podem e devem ser controlados de maneira apropriada com as ferramentas adequadas, para que as perdas, caso aconteçam, não sejam irreparáveis. Nos próximos textos falarei mais a respeito de uma das principais ferramentas de análise de ativos, que é a Análise Gráfica ou Técnica (AT).

Para quem está querendo uma alternativa de investimento em renda variável (RV) e desconhece qualquer forma de análise de ativos, o aconselhável é começar a estudar alguma destas técnicas para compreender a dinâmica do mercado antes de começar a opera por conta própria. Para conhecer tais técnicas não requer nenhum diploma de doutorado em Economia, Matemática ou Engenharia. Esses conhecimentos estão ao alcance de todos, basta ter tempo, disciplina e disposição para aprender.

Quem quer começar aplicando seus recursos agora sem ter conhecimento, deve começar procurando um fundo de investimento em ações de uma instituição de sua confiança. Porém, é importante ter em mente que o retorno não é garantido e que esse tipo de investimento carrega riscos, que podem levar tanto a rentabilidades positivas quanto a negativas.

Para aqueles que desejam ter contato com alguma dessas técnicas, nos próximos textos, vou tratar dos principais riscos que existem nos investimentos em RV, as diferenças entre Análise Fundamentalista e Análise Técnica (AF e AT), as principais ferramentas e conceitos básicos de AT, as estratégias existentes no mercado, os fatores que influenciam no preço, do ponto de vista da AT, bem como uma análise semanal dos principais ativos da Bolsa. As ferramentas de análise são relativamente simples e estão ao alcance de todos, bastando ter tempo, dedicação e disciplina tanto para aprendê-las como para aplicá-las.

O ABC do Dinheiro disponibiliza uma análise semanal dos principais ativos da BMF&Bovespa. Para acessá-la clique aqui.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Fundo Mútuo de Privatização (FMP): uma excelente idéia que o governo jogou no lixo

Um pouco de história não faz mal a ninguém...

O Fundo Mútuo de Privatização (FMP) foi criado e utilizado pelo governo federal para vender parte das ações da Petrobrás e Vale em poder da União. O FMP Petrobrás foi criado em agosto de 2000. Já o FMP Vale foi criado em março de 2002.

Somente trabalhadores com contas ativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) podiam aplicar em FMP. Quando os FMP estavam em processo de abertura, as pessoas interessadas solicitavam o aporte, mas, como o número de ações da Petrobras e da Vale dos FMP era limitado, foi feito o rateio entre as aqueles que solicitavam o aporte no FMP.

Como dito antes, o aporte no FMP foi feito através de recursos disponíveis nas contas individuais do FGTS. Quando algum cliente pedia o resgate dos recursos, o valor resgatado retornava para a conta individual do FGTS. Até hoje tem muita gente com recursos aplicados nos FMPs.

Do ponto de vista do investimento, o FMP era excelente, pois, as contas do FGTS tem uma rentabilidade de 3% ao ano acrescido da variação da Taxa Referencial (TR), o que convenhamos é muito pouco. Quem tem conta no FGTS sabe o que eu estou dizendo. Por outro lado, os recursos investidos no FMP passaram a correr os riscos típicos dos investimentos em ações, dos quais o mais pronunciado é a variação extrema dos preços (a chamada volatilidade).

Dito isso, fica aqui meu desabafo: o governo federal, diretamente ou através de empresas como o BNDESPAR (subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), possui ações de inúmeras empresas, sejam estatais ou sociedades de economia mista. E a lista de empresas nas quais o governo detém participação aumenta dia-a-dia.

Algumas dessas empresas são consideradas estratégicas, como a própria Petrobrás, Vale e Embraer. Portanto, não há que se falar em um novos FMPs para a venda de ações de tais empresas.

Por outro lado, existem empresas de capital aberto cuja participação governamental é episódica, por vezes fruto de uma operação malsucedida do BNDES (que por muitas vezes converte dívida em participação societária). Por isso eu pergunto: por que não repetir a história de sucesso dos FMP Petrobrás e Vale? Seria, ao meu ver, a forma mais simples e direta de democratizar o acesso à bolsa de valores.

Artigo Escrito por Flávio Girão Guimarães

domingo, 25 de março de 2012

Análise Técnica: Tendência - Parte II

O que significa tendência?

Na primeira parte aprendemos que tendência é a direção que o mercado está se movendo. A primeira vista parece ser fácil identificar uma tendência, mas veremos que nem sempre a coisa funciona desta maneira. São vários os parâmetros utilizados para se identificar uma tendência. Falaremos agora da maneira clássica de identificação de uma tendência, através do comportamento dos topos e fundos no mercado.

Independentemente do ativo e da periodicidade do gráfico, é possível notar que o mercado não se movimenta em uma linha reta, mas sim em zig-zags. O gráfico abaixo de PETR4 (Petrobrás) mostra a movimentação em zig-zag dos preços na periodicidade semanal:




A linha cinza no gráfico mostra a trajetória em zig-zag da movimentação dos preços.

A maneira clássica de determinação de uma tendência é a sua identificação pelo comportamento dos topos e fundos formados no mercado. Como o mercado se movimenta em Zig-Zags, a formação de topos e fundos ascendentes (topo e fundo maiores que o anterior) caracterizaria uma tendência de alta. A formação de topos e fundos descendentes (topo e fundo menores que os anteriores) caracterizaria uma tendência de baixa. Segue a mesma figura acima com as identificações das tendências:



A sequência de topos e fundos pode ser verificada através da linha cinza, que ajuda a identificar as tendências.

Agora que aprendemos como identificar uma tendência, no próximo artigo mostrarei as três fases do mercado e como identificar uma reversão de uma tendência, bem como o significado dos termos "suporte" e "resistência" e qual a importância dos mesmos para um trader.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Revista da Nova Bolsa: Alta Volatilidade, Tensão e Atenção no Mercado de Ações

Revista da Nova Bolsa nº 11 2011
Caros leitores. Abaixo apresentamos um texto publicado na “Revista da Nova Bolsa: uma publicação da Bm&fBovespa”. Trata-se de um texto longo, mas bastante oportuno neste momento de grandes oscilações do mercado financeiro (bolsa de valores, moedas, juros etc.). Respirem fundo. Boa leitura.

Alta Volatilidade, Tensão e Atenção no Mercado de Ações

Em fases de alta volatilidade, o investidor deve seguir os conselhos dos maiores aplicadores em ações do mundo, estudando o mercado a fundo e, sobretudo, atuando com base na sua estratégia de longo prazo

Por: Fabio Gallo Garcia*

A Bolsa está barata! O momento de entrar é agora! Compre que vale a pena! São três frases curtas e prontas para consumo. Como resistir?

Mas aí é que mora o perigo! Porque quanto maior a volatilidade do mercado, maior deve ser a atenção
no estabelecimento de sua estratégia.

Investir nos mercados em períodos de alta volatilidade exige um grau de conhecimento e dedicação maior que em outros momentos. Afinal, maior volatilidade significa maior grau de risco. Por isso que se diz que esses períodos são para profissionais da área de mercado de capitais.

De maneira geral, admitimos que a volatilidade é a amplitude de mudança do preço no tempo. Em outros termos, uma grande alteração de preço em curto período de tempo é considerada “alta volatilidade”.

Isso significa, também, grande potencial de retorno, pois os preços podem subir substancialmente. De maneira mais simples, podemos dizer que quando os investidores estão nervosos, alterando as suas posições em alta velocidade, temos um mercado com alta volatilidade. Os investidores estão incertos quanto à direção futura do mercado de ações e/ou sobre a economia como um todo e alteram suas posições com base em qualquer nova notícia. Na sua raiz, está a eficiência informacional do mercado.

A assimetria de informações somada a aspectos comportamentais, como exemplos aversão à perda, autoconfiança excessiva, otimismo, reação às novidades do mercado, efeito ancoragem, efeito disjunção, ilusão monetária, contabilidade mental, entre outros, podem trazer um resultado devastador para o investidor e para o mercado.

Aplicar em ambiente de alta volatilidade significa que estamos buscando uma recompensa, e essa palavra é muito adequada justamente pelo fato de estarmos correndo alto grau de risco, assim queremos um retorno que seja uma compensação pela grande exposição à perda. Nessa hora, podemos cometer as maiores bobagens, como comprar na alta e vender na baixa, sair da posição quando os preços já estão no fundo do poço e, pior, voltarmos para a posição de alta quando os preços estão prestes a cair novamente.

Quando o ambiente dos mercados é de alta volatilidade, podemos segmentar, de maneira simples e extremada, os investidores em dois tipos: aqueles que podemos denominar de investidores médios, que são pessoas sem grandes conhecimentos sobre investimentos e não têm tempo para se dedicar às análises sobre empresas e mercados; e os investidores, profissionais ou não, que possuem profundos conhecimentos de mercado e tempo para se dedicar às operações.

Este último tipo de investidor, dada a sua habilidade, tem mostrado mudança de atitude. Notícias dos grandes periódicos dão conta que as operações Day Trade têm crescido substancialmente, dados apontam crescimento de 15% neste ano, comparativamente a 2010. Casos de sucesso de investidores com esse perfil de atuação são citados, sendo apresentados ganhos de 20% em apenas dois dias. Os casos de fracasso não aparecem facilmente, mas ocorrem.

Investidor com esse perfil é denominado especulador. Antes de tudo, é um investidor que gosta de risco. Podemos apelidá-lo de James Bond, porque, a exemplo do personagem do cinema, ele tem de ser frio, calculista, que decide de maneira rápida e certeira. Mas, a despeito desse apetite ao risco, investir dessa maneira requer conhecimento de mercado, muita disciplina, tempo disponível e timing.

O especulador precisa de conhecimento técnico, saber observar os acontecimentos de mercado para poder tomar decisões acertadas; necessita de disciplina porque isso exige organização, ordem, sistematização. O tempo é fator importante porque dele é exigido ler muito, realizar análises, buscar informações de mercado. Timing é o senso de agir no momento certo e isso somente se ganha com a experiência. Claro que tecnologia é algo essencial.

Quem opera no mercado com esse perfil não dá muita atenção para a análise fundamentalista, sua atuação é baseada em notícias de mercado e análise técnica, os gráficos são suas fontes inspiradoras.

Quanto aos investidores médios, o grande erro que muitos podem cometer é o de serem influenciados pelas flutuações de preços e abandonarem as suas estratégias de longo prazo. Se bem que muitos investidores com esse perfil, principalmente devido à falta de conhecimento, acabam não tendo estratégia alguma para seus investimentos. A maioria sequer mantém uma carteira diversificada. Adoram dicas de bastidor e alteram suas posições com base em qualquer notícia. A chance de incorrerem em perdas é muito grande.

O prejuízo trazido por esse tipo de procedimento não é somente do investidor, mas de todo o mercado de capitais. Pois, uma vez o investidor tendo passado pela experiência de perdas substanciais, as probabilidades de ele voltar a investir em renda variável são pequenas ou, no mínimo, irá demorar muito para retornar. Alguns dados de mercado podem sustentar essa afirmação. Uma das grandes aspirações dos agentes do mercado de capitais foi a de incentivar as pessoas físicas na direção de geração de poupança de longo prazo por meio de sua participação na Bolsa. No ano de 2000, as pessoas físicas eram responsáveis por 19% do total de operações. Em agosto de 2010 esse porcentual atingiu 27% e hoje sua participação está na faixa de 22%.

No entanto, uma abordagem muita adequada e diferenciada para esse perfil de investidor deveria ser a filosofia de investimentos conhecida como “Investimento de Valor”, que tem uma perspectiva de longo prazo. Essa abordagem possui duas características que a definem e distinguem de outras filosofias de investimentos: disciplina e paciência. Algumas vezes, é descrita de maneira superficial, pois usualmente o investidor de valor coloca seu dinheiro em títulos que não são populares ou não são amplamente acompanhados pelos outros agentes de mercado.

O conceito de “investimento de valor” lida fortemente com o de “valor intrínseco”, “margem de segurança” e “análise fundamental”. Com bases neles, constrói-se sua estrutura de análise e políticas de investimentos. Esses conceitos são tratados em literatura clássica, em estudo dos economistas Benjamin Graham e David Dodd publicados em 1934, e têm como um de seus mais entusiastas o megainvestidor Warren Buffett.

Alguns dos ditos de Warren Buffett valem a pena serem colocados para apresentar sua filosofia de investimentos; comecemos pelas suas duas regras básicas:
  • Regra 1: nunca perca dinheiro;
  • Regra 2: nunca esqueça a regra 1.
Outras duas frases mostram bem o seu pensamento: “Dou grande importância à certeza. Toda a noção de fator de risco não faz o menor sentido para mim. Não se faz negócio quando o risco é significativo. Mas não é arriscado comprar títulos por uma fração do seu valor real.” e “O risco está em não saber o que você está fazendo.”

Independentemente de qualquer outra coisa, o investidor médio deve mirar no longo prazo e entender que é essencial a estruturação de uma estratégia de investimentos. Outro erro muito comum cometido por esse tipo de agente é que ele leva algumas máximas de finanças ao pé da letra. Exemplo é aquela que diz que sempre devemos realizar o prejuízo, esquecendo que isso é algo feito dentro de uma estratégia. Não podemos confundir prejuízo econômico com prejuízo financeiro. Somente o segundo é que sentimos no bolso e é irrecuperável.

Algumas dicas são importantes para as pessoas lembrarem na hora do investimento:
  • Prepare seu orçamento familiar.
  • Adquira conhecimentos sobre o mercado.
  • Investigue. Não jogue o seu dinheiro no escuro.
  • Desconfie de dicas muito fáceis.
  • Desconfie de altas muito rápidas.
  • Treine antes de entrar no mercado real.
  • Comece aplicando pouco dinheiro.
  • No mercado de ações, seja um investidor 24 horas.
  • Não se apaixone pelo seu investimento.
  • Tenha paciência.
  • Evite a opinião da massa.
  • Não mantenha posições perdedoras.
  • Cuidado com o tipo de ordem que você dá ao seu corretor.
  • Estipule um patamar máximo de perda.
Lembre-se que a etimologia da palavra volátil tem como um dos seus significados a propriedade de certas substâncias sólidas ou líquidas de se transformar em vapor.

Assim, cuidado para não transformar o seu dinheiro em vapor.

Prudência é uma palavra que sempre deve ser considerada por todos. Assim, como um alerta final, recorro a mais uma das frases de Warren Buffett: “Não temos a menor ideia de quanto tempo as altas vão durar nem sabemos o que mudará as atitudes do governo, dos emprestadores e dos compradores que as alimentam. Sabemos apenas que, quanto menor a prudência alheia na condução de seus assuntos, maior deve ser a nossa.”

*FABIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA PUC-SP E FGV-EAESP, RESPONSÁVEL PELA COLUNA “SEU DINHEIRO” NO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO E RÁDIO ESTADÃO ESPN.

Revista da Nova Bolsa: Alta Volatilidade, Tensão e Atenção no Mercado de Ações

Revista da Nova Bolsa nº 11 2011
Caros leitores. Abaixo apresentamos um texto publicado na “Revista da Nova Bolsa: uma publicação da Bm&fBovespa”. Trata-se de um texto longo, mas bastante oportuno neste momento de grandes oscilações do mercado financeiro (bolsa de valores, moedas, juros etc.). Respirem fundo. Boa leitura.

Alta Volatilidade, Tensão e Atenção no Mercado de Ações

Em fases de alta volatilidade, o investidor deve seguir os conselhos dos maiores aplicadores em ações do mundo, estudando o mercado a fundo e, sobretudo, atuando com base na sua estratégia de longo prazo

Por: Fabio Gallo Garcia*

A Bolsa está barata! O momento de entrar é agora! Compre que vale a pena! São três frases curtas e prontas para consumo. Como resistir?

Mas aí é que mora o perigo! Porque quanto maior a volatilidade do mercado, maior deve ser a atenção
no estabelecimento de sua estratégia.

Investir nos mercados em períodos de alta volatilidade exige um grau de conhecimento e dedicação maior que em outros momentos. Afinal, maior volatilidade significa maior grau de risco. Por isso que se diz que esses períodos são para profissionais da área de mercado de capitais.

De maneira geral, admitimos que a volatilidade é a amplitude de mudança do preço no tempo. Em outros termos, uma grande alteração de preço em curto período de tempo é considerada “alta volatilidade”.

Isso significa, também, grande potencial de retorno, pois os preços podem subir substancialmente. De maneira mais simples, podemos dizer que quando os investidores estão nervosos, alterando as suas posições em alta velocidade, temos um mercado com alta volatilidade. Os investidores estão incertos quanto à direção futura do mercado de ações e/ou sobre a economia como um todo e alteram suas posições com base em qualquer nova notícia. Na sua raiz, está a eficiência informacional do mercado.

A assimetria de informações somada a aspectos comportamentais, como exemplos aversão à perda, autoconfiança excessiva, otimismo, reação às novidades do mercado, efeito ancoragem, efeito disjunção, ilusão monetária, contabilidade mental, entre outros, podem trazer um resultado devastador para o investidor e para o mercado.

Aplicar em ambiente de alta volatilidade significa que estamos buscando uma recompensa, e essa palavra é muito adequada justamente pelo fato de estarmos correndo alto grau de risco, assim queremos um retorno que seja uma compensação pela grande exposição à perda. Nessa hora, podemos cometer as maiores bobagens, como comprar na alta e vender na baixa, sair da posição quando os preços já estão no fundo do poço e, pior, voltarmos para a posição de alta quando os preços estão prestes a cair novamente.

Quando o ambiente dos mercados é de alta volatilidade, podemos segmentar, de maneira simples e extremada, os investidores em dois tipos: aqueles que podemos denominar de investidores médios, que são pessoas sem grandes conhecimentos sobre investimentos e não têm tempo para se dedicar às análises sobre empresas e mercados; e os investidores, profissionais ou não, que possuem profundos conhecimentos de mercado e tempo para se dedicar às operações.

Este último tipo de investidor, dada a sua habilidade, tem mostrado mudança de atitude. Notícias dos grandes periódicos dão conta que as operações Day Trade têm crescido substancialmente, dados apontam crescimento de 15% neste ano, comparativamente a 2010. Casos de sucesso de investidores com esse perfil de atuação são citados, sendo apresentados ganhos de 20% em apenas dois dias. Os casos de fracasso não aparecem facilmente, mas ocorrem.

Investidor com esse perfil é denominado especulador. Antes de tudo, é um investidor que gosta de risco. Podemos apelidá-lo de James Bond, porque, a exemplo do personagem do cinema, ele tem de ser frio, calculista, que decide de maneira rápida e certeira. Mas, a despeito desse apetite ao risco, investir dessa maneira requer conhecimento de mercado, muita disciplina, tempo disponível e timing.

O especulador precisa de conhecimento técnico, saber observar os acontecimentos de mercado para poder tomar decisões acertadas; necessita de disciplina porque isso exige organização, ordem, sistematização. O tempo é fator importante porque dele é exigido ler muito, realizar análises, buscar informações de mercado. Timing é o senso de agir no momento certo e isso somente se ganha com a experiência. Claro que tecnologia é algo essencial.

Quem opera no mercado com esse perfil não dá muita atenção para a análise fundamentalista, sua atuação é baseada em notícias de mercado e análise técnica, os gráficos são suas fontes inspiradoras.

Quanto aos investidores médios, o grande erro que muitos podem cometer é o de serem influenciados pelas flutuações de preços e abandonarem as suas estratégias de longo prazo. Se bem que muitos investidores com esse perfil, principalmente devido à falta de conhecimento, acabam não tendo estratégia alguma para seus investimentos. A maioria sequer mantém uma carteira diversificada. Adoram dicas de bastidor e alteram suas posições com base em qualquer notícia. A chance de incorrerem em perdas é muito grande.

O prejuízo trazido por esse tipo de procedimento não é somente do investidor, mas de todo o mercado de capitais. Pois, uma vez o investidor tendo passado pela experiência de perdas substanciais, as probabilidades de ele voltar a investir em renda variável são pequenas ou, no mínimo, irá demorar muito para retornar. Alguns dados de mercado podem sustentar essa afirmação. Uma das grandes aspirações dos agentes do mercado de capitais foi a de incentivar as pessoas físicas na direção de geração de poupança de longo prazo por meio de sua participação na Bolsa. No ano de 2000, as pessoas físicas eram responsáveis por 19% do total de operações. Em agosto de 2010 esse porcentual atingiu 27% e hoje sua participação está na faixa de 22%.

No entanto, uma abordagem muita adequada e diferenciada para esse perfil de investidor deveria ser a filosofia de investimentos conhecida como “Investimento de Valor”, que tem uma perspectiva de longo prazo. Essa abordagem possui duas características que a definem e distinguem de outras filosofias de investimentos: disciplina e paciência. Algumas vezes, é descrita de maneira superficial, pois usualmente o investidor de valor coloca seu dinheiro em títulos que não são populares ou não são amplamente acompanhados pelos outros agentes de mercado.

O conceito de “investimento de valor” lida fortemente com o de “valor intrínseco”, “margem de segurança” e “análise fundamental”. Com bases neles, constrói-se sua estrutura de análise e políticas de investimentos. Esses conceitos são tratados em literatura clássica, em estudo dos economistas Benjamin Graham e David Dodd publicados em 1934, e têm como um de seus mais entusiastas o megainvestidor Warren Buffett.

Alguns dos ditos de Warren Buffett valem a pena serem colocados para apresentar sua filosofia de investimentos; comecemos pelas suas duas regras básicas:
  • Regra 1: nunca perca dinheiro;
  • Regra 2: nunca esqueça a regra 1.
Outras duas frases mostram bem o seu pensamento: “Dou grande importância à certeza. Toda a noção de fator de risco não faz o menor sentido para mim. Não se faz negócio quando o risco é significativo. Mas não é arriscado comprar títulos por uma fração do seu valor real.” e “O risco está em não saber o que você está fazendo.”

Independentemente de qualquer outra coisa, o investidor médio deve mirar no longo prazo e entender que é essencial a estruturação de uma estratégia de investimentos. Outro erro muito comum cometido por esse tipo de agente é que ele leva algumas máximas de finanças ao pé da letra. Exemplo é aquela que diz que sempre devemos realizar o prejuízo, esquecendo que isso é algo feito dentro de uma estratégia. Não podemos confundir prejuízo econômico com prejuízo financeiro. Somente o segundo é que sentimos no bolso e é irrecuperável.

Algumas dicas são importantes para as pessoas lembrarem na hora do investimento:
  • Prepare seu orçamento familiar.
  • Adquira conhecimentos sobre o mercado.
  • Investigue. Não jogue o seu dinheiro no escuro.
  • Desconfie de dicas muito fáceis.
  • Desconfie de altas muito rápidas.
  • Treine antes de entrar no mercado real.
  • Comece aplicando pouco dinheiro.
  • No mercado de ações, seja um investidor 24 horas.
  • Não se apaixone pelo seu investimento.
  • Tenha paciência.
  • Evite a opinião da massa.
  • Não mantenha posições perdedoras.
  • Cuidado com o tipo de ordem que você dá ao seu corretor.
  • Estipule um patamar máximo de perda.
Lembre-se que a etimologia da palavra volátil tem como um dos seus significados a propriedade de certas substâncias sólidas ou líquidas de se transformar em vapor.

Assim, cuidado para não transformar o seu dinheiro em vapor.

Prudência é uma palavra que sempre deve ser considerada por todos. Assim, como um alerta final, recorro a mais uma das frases de Warren Buffett: “Não temos a menor ideia de quanto tempo as altas vão durar nem sabemos o que mudará as atitudes do governo, dos emprestadores e dos compradores que as alimentam. Sabemos apenas que, quanto menor a prudência alheia na condução de seus assuntos, maior deve ser a nossa.”

*FABIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA PUC-SP E FGV-EAESP, RESPONSÁVEL PELA COLUNA “SEU DINHEIRO” NO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO E RÁDIO ESTADÃO ESPN.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A bolsa está caindo. O que fazer?

O índice Bovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, segue em queda desde o final de 2010. Neste período, acumulou uma queda de, aproximadamente, 25%. Somente na última semana, a queda foi de quase 10%. Para aqueles que estavam com os seus recursos aplicados na bolsa em 2008, é difícil não se lembrar da queda de 60% ocorrida no IBOV no período de Maio a Outubro daquele ano. Qual atitude deve ser tomada neste momento? Devo entrar agora? Devo sair agora? O que fazer?

Não existe uma receita única. Cada um tem os seus prazos de investimento, seu próprio grau de aversão a risco, seus objetivos, entre outros fatores que influenciam no momento da escolha de um investimento. A opinião aqui expressa é pessoal e deve ser analisada com muito critério, tentando adaptá-la, se for o caso, as diferentes situações. Estas opiniões estão direcionadas para aqueles que investem apenas na ponta compradora, que é o caso da maioria dos investidores da bolsa. Primeiro, faz-se necessário dividir em dois grupos com situações diferentes: comprados (aqueles que já possuem alguma ação) e potenciais compradores (aqueles que estão de fora a espera de uma oportunidade para entrar na bolsa).


1º)  potenciais compradores: para aqueles que estão de fora da bolsa e estão esperando entrar na bolsa, este não é o melhor momento para entrar. Não caia na armadilha do está "barato", pois o que está "barato" hoje pode estar caríssimo daqui a um ano. Durante estas quedas, muitos analistas dizem que devemos ir as compras atrás das "pechinchas". O melhor a fazer é colocar seu dinheiro em RF, buscando um investimento mais seguro, esperando que a bolsa dê algum sinal de reversão desta forte tendência de baixa atual, para só então entrar na bolsa, por enquanto mantenha-se fora da bolsa.

Alguns vão argumentar que é o momento de comprar, buscando o "fundo" do movimento. Não caia nesta armadilha de caçar fundo de movimento, pois os movimentos na bolsa são muito difíceis de se prever. É melhor esperar por sinais claros de retomada da tendência de alta, isto pode levar meses ou até anos, mas é o mais aconselhável no momento.

2º)  comprados: está é a situação mais complicada. Tudo vai depender do objetivo traçado inicialmente. Se o objetivo era acumular ações para o "longo prazo", adquirindo ações mês a mês, então o plano deve ser seguido a risca, devendo-se continuar a comprar mais e mais ações. Não gosto deste tipo de estratégia, pois pode acontecer da empresa sumir do mapa e o seu dinheiro sumir junto. Se quiser utilizar esta estratégia, o ideal é que seja feito com o índice, não com ações de uma ou poucas empresas. No meu artigo "Ações e o Longo prazo" explico melhor este ponto de vista.

A pior situação é daqueles que entraram sem ter nenhum plano de entrada, de saída e objetivos para a operação. Para estes, o aconselhável é a colocação de um stop (saída de emergência) na operação agora. O ideal seria que este stop fosse colocado no momento da entrada, mas nunca é tarde. Existem muitas maneiras de se determinar o stop. Para os que desconhecem AT, pode-se definir a perda máxima aceitável na operação, colocando o stop no preço em que esta perda máxima é atingida.

Supondo que se entrou em um ativo em R$ 10,00. Hoje o preço dele é de R$ 9,40. Se, por exemplo, um sujeito aceita perder 10% do seu capital nesta operação ( 10% é um valor muito alto para se arriscar em uma única operação, mas este é somente um exemplo), o stop pode ser posicionado para os R$ 9,00. Como R$ 9,00 é um número redondo, eu posicionaria o stop alguns centavos abaixo dos R$ 9,00, em R$ 8,94.

Lembrem-se que a noção de "barato" e "caro" é relativa no tempo e espaço. O que está "barato" hoje pode estar muito "caro" amanhã.

O Abcdodinheiro disponibiliza uma análise semanal dos principais ativos da BOVESPA. Para acessá-la clique aqui.

Artigo escrito por Gustavo Garcia.

Artigos relacionados:

Análise semanal ativos BOVESPA
Ações: o que saber antes de investir?
Ações e o “longo prazo”
Por onde começar a investir em ações?
Análise Técnica X Análise Fundamentalista
Análise Técnia: Teoria Dow
Análise Técnica: gráficos de barras x gráficos de candles
Análise Técnica: Tendência - parte I

A bolsa está caindo. O que fazer?

O índice Bovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, segue em queda desde o final de 2010. Neste período, acumulou uma queda de, aproximadamente, 25%. Somente na última semana, a queda foi de quase 10%. Para aqueles que estavam com os seus recursos aplicados na bolsa em 2008, é difícil não se lembrar da queda de 60% ocorrida no IBOV no período de Maio a Outubro daquele ano. Qual atitude deve ser tomada neste momento? Devo entrar agora? Devo sair agora? O que fazer?

Não existe uma receita única. Cada um tem os seus prazos de investimento, seu próprio grau de aversão a risco, seus objetivos, entre outros fatores que influenciam no momento da escolha de um investimento. A opinião aqui expressa é pessoal e deve ser analisada com muito critério, tentando adaptá-la, se for o caso, as diferentes situações. Estas opiniões estão direcionadas para aqueles que investem apenas na ponta compradora, que é o caso da maioria dos investidores da bolsa. Primeiro, faz-se necessário dividir em dois grupos com situações diferentes: comprados (aqueles que já possuem alguma ação) e potenciais compradores (aqueles que estão de fora a espera de uma oportunidade para entrar na bolsa).


1º)  potenciais compradores: para aqueles que estão de fora da bolsa e estão esperando entrar na bolsa, este não é o melhor momento para entrar. Não caia na armadilha do está "barato", pois o que está "barato" hoje pode estar caríssimo daqui a um ano. Durante estas quedas, muitos analistas dizem que devemos ir as compras atrás das "pechinchas". O melhor a fazer é colocar seu dinheiro em RF, buscando um investimento mais seguro, esperando que a bolsa dê algum sinal de reversão desta forte tendência de baixa atual, para só então entrar na bolsa, por enquanto mantenha-se fora da bolsa.

Alguns vão argumentar que é o momento de comprar, buscando o "fundo" do movimento. Não caia nesta armadilha de caçar fundo de movimento, pois os movimentos na bolsa são muito difíceis de se prever. É melhor esperar por sinais claros de retomada da tendência de alta, isto pode levar meses ou até anos, mas é o mais aconselhável no momento.

2º)  comprados: está é a situação mais complicada. Tudo vai depender do objetivo traçado inicialmente. Se o objetivo era acumular ações para o "longo prazo", adquirindo ações mês a mês, então o plano deve ser seguido a risca, devendo-se continuar a comprar mais e mais ações. Não gosto deste tipo de estratégia, pois pode acontecer da empresa sumir do mapa e o seu dinheiro sumir junto. Se quiser utilizar esta estratégia, o ideal é que seja feito com o índice, não com ações de uma ou poucas empresas. No meu artigo "Ações e o Longo prazo" explico melhor este ponto de vista.

A pior situação é daqueles que entraram sem ter nenhum plano de entrada, de saída e objetivos para a operação. Para estes, o aconselhável é a colocação de um stop (saída de emergência) na operação agora. O ideal seria que este stop fosse colocado no momento da entrada, mas nunca é tarde. Existem muitas maneiras de se determinar o stop. Para os que desconhecem AT, pode-se definir a perda máxima aceitável na operação, colocando o stop no preço em que esta perda máxima é atingida.

Supondo que se entrou em um ativo em R$ 10,00. Hoje o preço dele é de R$ 9,40. Se, por exemplo, um sujeito aceita perder 10% do seu capital nesta operação ( 10% é um valor muito alto para se arriscar em uma única operação, mas este é somente um exemplo), o stop pode ser posicionado para os R$ 9,00. Como R$ 9,00 é um número redondo, eu posicionaria o stop alguns centavos abaixo dos R$ 9,00, em R$ 8,94.

Lembrem-se que a noção de "barato" e "caro" é relativa no tempo e espaço. O que está "barato" hoje pode estar muito "caro" amanhã.

Artigo escrito por Gustavo Garcia

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Análise Técnica: Tendência - parte I

Um dos principais objetivos da AT é a identificação de tendências. A importância da identificação da tendência está no fato de ser aconselhável que nossas operações estejam em conformidade com a tendência do ativo, ou seja, devemos comprar quando a tendência for de alta e vender quando a tendência for de baixa. A dificuldade de se operar a favor de uma tendência é que este tipo de operação vai de encontro ao que sempre aprendemos: “comprar um ativo assim que ele cair e ficar barato, vendendo quando ele subir e ficar caro”.

Na verdade, os seguidores de têndencia na AT, na maioria das vezes, compram um ativo quando ele está subindo e demonstrando perspectivas de subir ainda mais dentro de uma tendência de alta ou, de forma análoga, vendem um ativo quando ele já caiu o suficiente para demonstrar que entrou em uma tendência de baixa.

Operar a favor de uma tendência é menos arriscado e mais confortável. Tentar prever topos e fundos é a uma das maneira mais rápidas de se perder dinheiro no mercado. Afinal, quando se tenta ser caçador de topos e fundos, costuma-se operar contra a tendência prévia, o que não é aconselhável, principalmente aos iniciantes.
O que significa Tendência?

Tendência é a direção em que o mercado está se movendo. A determinação da tendência, em algumas ocasiões, não é tão simples quanto pode parecer a primeira vista, por este motivo precisamos de critérios bem estabelecidos para que possamos tirar ao máximo a subjetividade de nossas análises. O passo-a-passo da identificação de uma tendência será descrito na segunda parte deste artigo.