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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Rentabilidade e Risco Passado do Tesouro Direto - maio de 2016

Apresentamos a rentabilidade bruta passada dos títulos públicos à venda no Tesouro Direto (TD) em 31 de maio de 2016. Para fins de comparação, iremos publicar a variação do DI-CETIP, que é a base para a remuneração dos CDBs pós-fixados e referência dos fundos de renda fixa de curto prazo. Também iremos publicar a rentabilidade da poupança.

Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura

Antes de começar, nunca é demais relembrar que a tabela abaixo foi elaborada através do histórico de preços e taxas dos títulos públicos, obtidos diretamente do sítio do Tesouro Direto. Ou seja, nossa tabela demonstra o que aconteceu no mês de maio de 2016, no ano de 2016, bem como nos últimos 12, 24 e 36 meses e, portanto, não deve servir de base para o que pode vir a acontecer nos próximos meses.

Lembramos que, para se obter a rentabilidade líquida (o que realmente vai para o seu bolso), é necessário descontar as taxas cobradas por seu agente de custódia, bem como o do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Para saber um pouco mais sobre a tributação, leia nosso artigo Tributação de investimentos - Tesouro Direto.

Vencimentos e Cupons

No mês de maio houve pagamento de R$ 84,94 para cada NTN-B com vencimento em maio.




Risco X Retorno

Na última coluna da tabela acima apresentamos o desvio-padrão dos retornos dos títulos públicos. O desvio-padrão é uma medida comum de risco de mercado, pois, quanto maior o desvio-padrão, maior é a dispersão dos retornos em relação à média histórica (tendo como hipótese uma distribuição-normal dos retornos). Quanto maior o desvio-padrão, maiores serão as oscilações dos retornos em relação à média. Em outras palavras, quanto maior o desvio-padrão, maior o risco.

Nunca é demais relembrar

Este este artigo é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento. Antes de efetuar seus investimentos no Tesouro Direto e, para melhor entendimento do programa e das características dos títulos públicos negociados através desta plataforma, recomendamos a leitura cuidadosa do regulamento, bem como a leitura de outros artigos deste Blog ou de outros blogs especializados, bem como a realização de cursos e consultas à página do próprio programa, no site da Tesouro Nacional.

Outros artigos sobre o Tesouro Direto:

terça-feira, 3 de junho de 2014

Rentabilidade e Risco Passado do Tesouro Direto - maio de 2014

Segue abaixo a rentabilidade bruta passada dos títulos públicos à venda no Tesouro Direto (TD) em 31 de maio de 2014. Para fins de comparação, iremos publicar a variação do DI-CETIP, que é a base para a remuneração dos CDBs pós-fixados e referência dos fundos de renda fixa de curto prazo. Também iremos publicar a rentabilidade da poupança (cálculo antigo e cálculo novo).

A tabela abaixo foi elaborada através da evolução dos dos preços únicos dos títulos públicos (PU), obtidos diretamente do site da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Ou seja, a tabela abaixo demonstra o que aconteceu no mês de maio de 2014 e meses anteriores, não devendo servir de base para o que pode vir a acontecer nos próximos meses. Lembramos que, para se obter a rentabilidade líquida (o que realmente vai para o seu bolso), é necessário descontar da rentabilidade bruta as taxas cobradas por seu agente de custódia, bem como o do Imposto de Renda devido.

Neste mês foram pagos cupons das NTN-B com vencimento em maio, num total de R$ 71,86 por título.


























No mês de maio houve a continuação do processo de queda generalizada das taxas de juros de mercado, com consequente elevação do preços dos títulos públicos vendidos no Tesouro Direto. O destaque do mês ficou com a NTN-B Principal com vencimento em maio de 2035, que teve elevação de +12,78%, ante o CDI, cuja variação em abril foi de +0,86%. Porém, isso deve ser visto com muito cuidado, como veremos abaixo.

Como de costume, apresentamos o desvio-padrão dos retornos dos títulos públicos do Tesouro Direto. O desvio-padrão é uma medida comum de risco de mercado, pois, quanto maior o desvio-padrão, maior é a dispersão dos retornos em relação à média histórica (tendo como hipótese uma distribuição-normal dos retornos). Quanto maior o desvio-padrão, maiores serão as oscilações dos retornos em relação à média. Em outras palavras, quanto maior o desvio-padrão, maior o risco.

O desvio-padrão da NTN-B Principal 2035, destaque deste mês, é o mais elevado entre os títulos negociados no Tesouro Direto. Por essa razão, tal título tem amplas variações, como a apresentada em maio. Aliás, esta é uma característica comum em títulos públicos com vencimentos longos, cujos preços costumam oscilar acima da média. Ou seja, são títulos indicados para quem tem sangue frio para especular, ou então para quem vai manter o título até o vencimento, o que pode demorar um bom tempo.

Ou seja, vale a velha máxima do mercado financeiro que diz: para perseguir maiores retornos, é necessário correr maiores riscos.

Importante ressaltar que este este artigo é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento. Antes de efetuar seus investimentos no TD e, para melhor entendimento do programa e das características dos títulos públicos negociados através desta plataforma, recomenda-se a leitura cuidadosa do regulamento, bem como a leitura de outros artigos, a realização de cursos e consulta à excelente página do programa no site da Tesouro Nacional.

Tabela e artigo elaborados por Flávio Girão Guimarães.

Outros artigos sobre o Tesouro Direto:

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Um ano de chumbo para o Tesouro Direto

Exatamente há um ano, publicamos o artigo Um ano de ouro para o Tesouro Direto. Naquele artigo, demonstramos que os títulos públicos negociados no Tesouro Direto foram, de longe, os investimentos mais rentáveis daquele ano, superando poupança, ouro, o dólar, a bolsa de valores etc. Porém...

Como todo investimento, os títulos públicos carregam riscos que devem ser sempre considerados. O ano de 2013, como veremos, foi um ano de perdas consideráveis para os investidores do Tesouro Direto, na contramão dos resultados de 2012.

A tabela abaixo é uma velha conhecida dos leitores do Blog ABC do Dinheiro. Mensalmente apresentamos a rentabilidade e risco passada dos títulos negociados no Tesouro Direto. Tal tabela é elaborada através dos dos preços históricos dos títulos públicos (PU) obtidos no site da STN, levando-se em consideração os eventuais juros pagos ao longo do período, conhecidos como cupons.

Experimentamos em 2013 uma alta expressiva dos juros de mercado e, quando os juros sobem, o preço dos títulos prefixados (LTN e NTN-F), bem como o preço dos títulos indexados ao IPCA (NTN-B e NTN-B Principal) tem redução. Resumo da ópera: com exceção da Letra Financeira do Tesouro (LFT), que é o único título público pósfixado à venda no Tesouro Direto, TODOS os títulos perderam valor. Os títulos com vencimento posterior a 2020 tiveram perdas superiores a 10%. Os investidores das NTN-B com vencimento em 2035 amargaram uma perda superior a 30%!

Recomendamos a quem já investe ou pretende investir em títulos públicos que não desanime por conta da rentabilidade apresentada pelos títulos negociados no Tesouro Direto no ano de 2013. Dependendo do seu objetivo de investimento (reserva de emergência, aposentadoria, compra programada etc.), o Tesouro Direto pode oferecer excelentes possibilidades. Volta e meia apresentamos no Blog interessantes estratégias de investimento com utilização de títulos públicos.

Outro fator importante a se considerar é que a tabela acima apresenta a rentabilidade dos títulos obtida através da variação dos preços à mercado. Ou seja, apenas o investidor que vendeu seu título ao longo de 2013 sentiram no bolso o prejuízo. Quem manteve os títulos em carteira e pretende carregar tais títulos até o vencimento não terá perdas financeiras, já que tanto os títulos prefixados (LTN e NTN-F), como os títulos indexados ao IPCA (NTN-B e NTN-B Principal) são vendidos com deságio. Ou seja, sempre valerão mais na data de vencimento do que valiam na data de compra.

Obviamente, nunca é demais lembrar que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura e que este este artigo é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Rentabilidade das Letras do Tesouro Nacional - LTN

Recebemos um comentário no artigo Posso perder dinheiro com títulos públicos? que gostaríamos de compartilhar com os leitores do Blog. Nossas considerações vem na sequencia.

"Ao comprar algumas Letras do Tesouro Nacional (LTN) é indicada uma taxa de retorno. É possível que, no vencimento, eu obter tal rentabilidade?


Mais ainda: é possível ter prejuízo ou lucro menor mesmo quando fico com os títulos até a data do vencimento?



Por fim, como funciona a rentabilidade dos outros títulos (que não sejam a LTN) caso fique com os títulos até a data final do vencimento. Existe possibilidade de ter prejuízo ou lucro menor do que o apresentado no momento da compra do título?"


A LTN é o título mais fácil de ser precificado, pois, cada LTN valerá exatamente R$ 1 mil na data de vencimento, nem mais, nem menos. Ou seja, se você compra hoje 3 LTN, terá R$ 3 mil na data de vencimento. Comprou 10 LTN com vencimento em janeiro de 2016. Parabéns, você receberá R$ 10 mil em janeiro de 2016.

Quando se compra uma LTN, seja através do site do Tesouro Nacional, seja através de sua corretora ou banco, é apresentada a taxa de juros que corresponde à rentabilidade estimada para aquela LTN naquele instante. Ou seja, no momento que você compra a LTN, você sabe exatamente o retorno BRUTO que você obterá caso mantenha o título ATÉ O VENCIMENTO. Porém, para obter a rentabilidade LÍQUIDA, você deve descontar:

- a taxa de custódia (0,30% ao ano, paga em favor da CBLC);
- a taxa do banco/corretora, cobrada no momento da aquisição do título;
- o Imposto de Renda, que varia de acordo com o prazo que você permanecer com o título.

Antes de terminar, alguns alertas:

Se você vender o título antes do vencimento, estará sujeito às variações dos juros de mercado. Se você der o azar de vender seu título em um momento de aumento de juros, receberá uma rentabilidade inferior à contratada. Caso você venda seu título em um momento de queda de juros, receberá uma rentabilidade superior.

Ou seja, rentabilidade igual à rentabilidade indicada no momento da compra, SÓ SE VOCÊ MANTIVER O TÍTULO ATÉ A DATA DO VENCIMENTO.

Quanto aos demais títulos vendidos no Tesouro Direto, somente a NTN-F (prefixado com pagamento de cupom) tem característica semelhante à LTN, ou seja, é possível determinar exatamente a rentabilidade do título no momento da compra, caso o título seja mantido até o vencimento. Já os demais títulos...

As NTN-B são em parte corrigidas pelo IPCA. Portanto, não temos como determinar seu valor no momento do vencimento e, assim, não temos como determinar a rentabilidade do título no momento da compra. A taxa indicativa que aparece no momento da compra da NTN-B é o prêmio que é acrescido à variação do IPCA.

Já a LFT é corrigida de acordo com a variação da SELIC. Desta forma, tal como ocorre com as NTN-B, não é possível saber exatamente o valor da LFT no vencimento e, portanto, não é possível determinar a rentabilidade do título no momento da compra.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

Quer saber mais sobre o Tesouro Direto? Sugerimos os seguintes artigos já publicados no ABC do Dinhero:

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Como calcular a rentabilidade de um fundo de investimento?

Se eu tivesse que explicar o que é um fundo de investimentos (FI) em poucas palavras e da forma mais simples possível, eu diria que vários investidores, através do FI, aplicam seus recursos financeiros em uma variedade de investimentos distintos.

No caso específico de um FI em renda fixa, essa variedade de investimentos pode ser representada por títulos públicos, certificado de depósito bancário (CDB), letras financeiras, debentures etc. Cada um desses ativos pode ter um comportamento diferente, bem como uma precificação diferente. Então, como é calculada a rentabilidade de fundo composto de ativos tão distintos?

Para calcular a rentabilidade de um FI, utiliza-se um mecanismo chamado “fundo de cotas”. É bem simples: suponha que um banco ou uma gestora de investimentos lance hoje um FI em ações, exclusivo para os leitores do Blog, chamado FI ABC. O FI ABC inicia hoje com dez investidores, cada um deles com um aporte inicial de R$ 100.000,00, num total de R$ 1.000.000,00. O gestor do FI, arbitrariamente, determina um número inicial de cotas para esse fundo. Para facilitar nosso exemplo, suponha que o FI ABC inicia com 1.000.000 cotas. Logo, cada um de nossos dez investidores receberá 100.000 cotas em troca de seus R$ 100.000,00 Resumindo:

FI ABC (hoje)
- patrimônio do fundo: R$ 1.000.000,00 (a);
- número de cotas: 1.000.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,00 (c = a/b);
- número de investidores: 10 (cada um com 100.000 cotas).

No início do 1º ano, o gestor do FI ABC adquire várias ações, num total de R$ 1.000.000,00, que é o patrimônio líquido do fundo. A cotação de tais ações, bem como os proventos recebidos (e reinvestidos) ao longo do ano, elevam o patrimônio do fundo para R$. 1.100.000,00. Vamos supor que ao longo do 1º ano nenhum dos dez investidores iniciais realizou qualquer aporte ou resgate. Vamos supor também que nenhum outro investidor se interessou pelo FI ABC no 1º ano, ou seja, o fundo terminou o primeiro ano com os mesmos dez investidores. Nesse caso, o FI ABC encerrará o 1º ano na seguinte situação:

FI ABC (1º ano)
- patrimônio do fundo: R$ 1.100.000,00 (a);
- número de cotas: 1.000.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,10 (c = a/b);
- número de investidores: 10 (cada um com 100.000 cotas);

No primeiro dia do segundo ano, um dos dez investidores que iniciaram o fundo resolve resgatar integralmente suas cotas. Neste caso, o mesmo receberá de volta as 100.000 cotas, só que agora cada cota valerá R$ 1,10. Logo, o investidor receberá R$ 110.000,00. Por óbvio, o gestor terá que vender algumas ações do FI ABC, num total de R$ 110.000,00, para poder honrar com o resgate do nosso investidor.

Logo, a situação do FI ABC ficará assim:

FI ABC (1º ano, após a retirada de um dos investidores)
- patrimônio do fundo: R$ 990.000,00 (a);
- número de cotas: 900.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,10 (c = a/b);
- número de investidores: 9 (cada um com 100.000 cotas);

Neste mesmo dia, um novo investidor se apresenta, e aporta de uma só vez R$ 220.000,00. Quantas cotas do FI ABC ele receberá em troca do seu dinheiro? R$ 220.000,00/R$ 1,10 = 200.000 cotas. Logo o FI ABC ficará com essa nova configuração:

FI ABC (1º ano, após a retirada de um dos investidores e o aporte de um novo investidor)
- patrimônio do fundo: R$ 1.121.000,00 (a);
- número de cotas: 1.100.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,10 (c = a/b);
- número de investidores: 10 (9 deles com 100.000 cotas e 1 com 200.000 cotas);

Para finalizar, vamos supor que ao longo do 2º ano, o gestor do FI ABC “erra a mão” na escolha da carteira de ações do fundo e, no final do ano reduz o patrimônio do FI ABC para R$ 1.177.000,00. Nesse caso, o FI ABC encerrará o 2º ano na seguinte situação:

FI ABC (2º ano)
- patrimônio do fundo: R$ 1.177.000,00 (a);
- número de cotas: 1.100.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,07 (c = a/b);
- número de investidores: 10 (9 deles com 100.000 cotas e 1 com 200.000 cotas);

Insatisfeitos com o desempenho do fundo, os investidores resolvem encerrar o FI ABC. Em outras palavras, os 10 investidores irão resgatar integralmente as cotas do FI ABC que, desta forma, será extinto. Quando cada um dos investidores levará para casa?

- 9 investidores levarão R$ 107.000,00 (100.000 cotas X R$ 1,07); e
- 1 investidor levará R$ R$ 214.000,00 (200.000 cotas X R$ 1,07).

E de quanto foi a rentabilidade do fundo ao longo destes dois anos de existência? Mais uma vez, vamos recorrer às cotas para responder:

- no primeiro ano, temos uma rentabilidade de 10%, calculada da seguinte forma: R$ 1,10/R$ 1,00 -1 = 0,10 = 10%
- no segundo ano, temos uma rentabilidade de -2,73%, pois R$ 1,07/R$ 1,10 -1 = - 0,0273 = - 2,73%
- no período de dois anos, temos uma rentabilidade de 7%, pois, R$ 1,07/R$ 1,00 -1 = 0,07 = 7%

O mecanismo de “fundo de cotas” que acabamos de apresentar facilita a vida dos gestores e dos investidores em fundos de investimento, pois, transforma R$ em cotas. Se não fosse assim, cada investidor receberia uma pequena parte de cada um dos muitos ativos constantes da carteira do FI. Já pensou que confusão?

Para finalizar nosso artigo, lembramos que as cotas dos FI já são líquidas das taxas de administração e performance, ou seja, no momento do resgate não serão cobradas quaisquer taxas.

Para fins didáticos, não incluímos em nosso exemplo o Imposto de Renda, pois, as regras de tributação variam de acordo com a modalidade de investimento.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

Como calcular a rentabilidade de um fundo de investimento?

Se eu tivesse que explicar o que é um fundo de investimentos (FI) em poucas palavras e da forma mais simples possível, eu diria que vários investidores, através do FI, aplicam seus recursos financeiros em uma variedade de investimentos distintos.

No caso específico de um FI em renda fixa, essa variedade de investimentos pode ser representada por títulos públicos, certificado de depósito bancário (CDB), letras financeiras, debentures etc. Cada um desses ativos pode ter um comportamento diferente, bem como uma precificação diferente. Então, como é calculada a rentabilidade de fundo composto de ativos tão distintos?

Para calcular a rentabilidade de um FI, utiliza-se um mecanismo chamado “fundo de cotas”. É bem simples: suponha que um banco ou uma gestora de investimentos lance hoje um FI em ações, exclusivo para os leitores do Blog, chamado FI ABC. O FI ABC inicia hoje com dez investidores, cada um deles com um aporte inicial de R$ 100.000,00, num total de R$ 1.000.000,00. O gestor do FI, arbitrariamente, determina um número inicial de cotas para esse fundo. Para facilitar nosso exemplo, suponha que o FI ABC inicia com 1.000.000 cotas. Logo, cada um de nossos dez investidores receberá 100.000 cotas em troca de seus R$ 100.000,00 Resumindo:

FI ABC (hoje)
- patrimônio do fundo: R$ 1.000.000,00 (a);
- número de cotas: 1.000.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,00 (c = a/b);
- número de investidores: 10 (cada um com 100.000 cotas).

No início do 1º ano, o gestor do FI ABC adquire várias ações, num total de R$ 1.000.000,00, que é o patrimônio líquido do fundo. A cotação de tais ações, bem como os proventos recebidos (e reinvestidos) ao longo do ano, elevam o patrimônio do fundo para R$. 1.100.000,00. Vamos supor que ao longo do 1º ano nenhum dos dez investidores iniciais realizou qualquer aporte ou resgate. Vamos supor também que nenhum outro investidor se interessou pelo FI ABC no 1º ano, ou seja, o fundo terminou o primeiro ano com os mesmos dez investidores. Nesse caso, o FI ABC encerrará o 1º ano na seguinte situação:

FI ABC (1º ano)
- patrimônio do fundo: R$ 1.100.000,00 (a);
- número de cotas: 1.000.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,10 (c = a/b);
- número de investidores: 10 (cada um com 100.000 cotas);

No primeiro dia do segundo ano, um dos dez investidores que iniciaram o fundo resolve resgatar integralmente suas cotas. Neste caso, o mesmo receberá de volta as 100.000 cotas, só que agora cada cota valerá R$ 1,10. Logo, o investidor receberá R$ 110.000,00. Por óbvio, o gestor terá que vender algumas ações do FI ABC, num total de R$ 110.000,00, para poder honrar com o resgate do nosso investidor.

Logo, a situação do FI ABC ficará assim:

FI ABC (1º ano, após a retirada de um dos investidores)
- patrimônio do fundo: R$ 990.000,00 (a);
- número de cotas: 900.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,10 (c = a/b);
- número de investidores: 9 (cada um com 100.000 cotas);

Neste mesmo dia, um novo investidor se apresenta, e aporta de uma só vez R$ 220.000,00. Quantas cotas do FI ABC ele receberá em troca do seu dinheiro? R$ 220.000,00/R$ 1,10 = 200.000 cotas. Logo o FI ABC ficará com essa nova configuração:

FI ABC (1º ano, após a retirada de um dos investidores e o aporte de um novo investidor)
- patrimônio do fundo: R$ 1.121.000,00 (a);
- número de cotas: 1.100.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,10 (c = a/b);
- número de investidores: 10 (9 deles com 100.000 cotas e 1 com 200.000 cotas);

Para finalizar, vamos supor que ao longo do 2º ano, o gestor do FI ABC “erra a mão” na escolha da carteira de ações do fundo e, no final do ano reduz o patrimônio do FI ABC para R$ 1.177.000,00. Nesse caso, o FI ABC encerrará o 2º ano na seguinte situação:

FI ABC (2º ano)
- patrimônio do fundo: R$ 1.177.000,00 (a);
- número de cotas: 1.100.000 (b);
- valor da cota: R$ 1,07 (c = a/b);
- número de investidores: 10 (9 deles com 100.000 cotas e 1 com 200.000 cotas);

Insatisfeitos com o desempenho do fundo, os investidores resolvem encerrar o FI ABC. Em outras palavras, os 10 investidores irão resgatar integralmente as cotas do FI ABC que, desta forma, será extinto. Quando cada um dos investidores levará para casa?

- 9 investidores levarão R$ 107.000,00 (100.000 cotas X R$ 1,07); e
- 1 investidor levará R$ R$ 214.000,00 (200.000 cotas X R$ 1,07).

E de quanto foi a rentabilidade do fundo ao longo destes dois anos de existência? Mais uma vez, vamos recorrer às cotas para responder:

- no primeiro ano, temos uma rentabilidade de 10%, calculada da seguinte forma: R$ 1,10/R$ 1,00 -1 = 0,10 = 10%
- no segundo ano, temos uma rentabilidade de -2,73%, pois R$ 1,07/R$ 1,10 -1 = - 0,0273 = - 2,73%
- no período de dois anos, temos uma rentabilidade de 7%, pois, R$ 1,07/R$ 1,00 -1 = 0,07 = 7%

O mecanismo de “fundo de cotas” que acabamos de apresentar facilita a vida dos gestores e dos investidores em fundos de investimento, pois, transforma R$ em cotas. Se não fosse assim, cada investidor receberia uma pequena parte de cada um dos muitos ativos constantes da carteira do FI. Já pensou que confusão?

Para finalizar nosso artigo, lembramos que as cotas dos FI já são líquidas das taxas de administração e performance, ou seja, no momento do resgate não serão cobradas quaisquer taxas.

Para fins didáticos, não incluímos em nosso exemplo o Imposto de Renda, pois, as regras de tributação variam de acordo com a modalidade de investimento.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Um ano de ouro para o Tesouro Direto

Nunca um título de artigo foi tão apropriado. O ano de 2012 terminou e, como de costume, os grandes jornais e periódicos relacionaram os melhores e os piores investimentos do ano. Em todas as publicações que eu tive acesso, li que o ouro foi, de longe, o melhor investimento do ano, com uma variação de +15,85%, seguida do Dólar, que acumulou +13,61% de alta em 2012. Mas será que o Ouro e o Dólar foram, de fato, os melhores investimentos em 2012?

A tabela abaixo é uma velha conhecida dos leitores do Blog. Mensalmente o Blog ABC do Dinheiro apresenta a rentabilidade passada dos títulos negociados no Tesouro Direto, que é o programa de compra e venda de títulos públicos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Tal tabela é elaborada através dos dos preços históricos dos títulos públicos (PU) obtidos no site da STN, levando-se em consideração os eventuais juros pagos ao longo do período, conhecidos como cupons.

Título
Vencto
PU
mês
ano
12 m.
24 m.
36 m.
 LFT
07/03/17
  5.439,23
0,52%
8,57%
8,57%
#DIV/0!
#DIV/0!
 NTNB
15/08/20
  2.687,70
2,33%
28,37%
28,37%
48,47%
75,66%
 NTNB
15/05/35
  2.869,66
1,77%
35,17%
35,17%
54,48%
90,36%
 NTNB
15/08/50
  3.071,89
2,55%
#DIV/0!
#DIV/0!
#DIV/0!
#DIV/0!
 NTNBP
15/05/15
  2.123,02
1,59%
19,77%
19,77%
39,53%
61,81%
 NTNBP
15/08/24
  1.451,03
2,66%
35,96%
35,96%
58,51%
91,28%
 NTNBP
15/05/35
     872,19
0,98%
49,18%
49,18%
66,03%
#DIV/0!
 LTN
01/01/15
     859,01
0,94%
17,39%
17,39%
#DIV/0!
#DIV/0!
 LTN
01/01/16
     786,31
1,21%
#DIV/0!
#DIV/0!
#DIV/0!
#DIV/0!
 NTNF
01/01/23
  1.093,96
1,92%
#DIV/0!
#DIV/0!
#DIV/0!
#DIV/0!









Legenda:
 Indexados à taxa Selic
 Indexados ao IPCA (cupom)
 Indexados ao IPCA

 Prefixados

 Prefixados (cupom)


Neste ano, quase todos os títulos vendidos no Tesouro Direto tiveram rentabilidade superior (ou muito superior) às rentabilidades apresentadas pelo Ouro e pelo Dólar. A única exceção à essa regra foram as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que tem valor corrigido de acordo com a variação da taxa Selic. Ou seja, TODOS os títulos prefixados (LTN e NTN-F) ou indexados ao IPCA (NTN-B) negociados no Tesouro Direto tiveram rentabilidade superior ao ouro e ao Dólar.

Logo, o brilho do ouro, com sua rentabilidade de +15,85% não parece tão intenso quando comparamos, por exemplo, com a variação de +49,18% das NTN-B Principal com vencimento em 2035!

Obviamente, nunca é demais lembrar que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura e que este este artigo é meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento, nem deve servir como única base para tomada de decisões de investimento.