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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Renda fixa vs. renda variável


A primeira coisa que a maioria das pessoas pensa quando é questionada sobre a diferença entre renda fixa e renda variável é que a última varia e a primeira não. Essa é a principal dificuldade para entender as variações que ocorrem nos investimentos em renda fixa.

Esse senso comum, que os ativos de renda fixa não sofrem oscilações é errado. o preço de títulos públicos, letras de crédito e cotas de fundos de investimento em renda fixa, por exemplo, variam constantemente.


O que caracteriza um ativo de renda fixa é o conhecimento prévio da sua rentabilidade (i.e. um título público prefixado – LTN – promete pagar 11% a.a. até o seu vencimento). Em muitos casos a rentabilidade que receberemos não é conhecida – por ter um indexador (IGP-M, IPCA, dólar) – contudo, no vencimento, basta seguir a regra para encontrar a rentabilidade (i.e. uma debênture da Petrobras promete pagar IGP-M + 6,5% a.a. no seu vencimento).

É importante apenas enfatizar que a rentabilidade só é conhecida no vencimento. Caso o investidor precise do dinheiro antes do vencimento do título, será necessário vendê-lo pelo valor que o mesmo estiver sendo negociado no mercado, podendo inclusive ter prejuízo nessa operação (falaremos mais sobre isso em outro momento).



Um ativo de renda variável, por outro lado, não prevê nenhuma garantia de rentabilidade. Quando alguém adquire uma ação preferencial (PN) da Vale (VALE5) não existe nenhuma garantia de rendimento. Os ganhos dependerão do resultado da empresa, que será apropriado pelo investidor na forma de proventos e da valorização da ação no mercado secundário. Apesar do rendimento não ser conhecido, esse tipo de investimento apresenta um retorno muito interessante, principalmente quando o horizonte de investimento é de médio/longo prazo.


Nos últimos anos os investidores brasileiros se acostumaram a concentrar grande parte de sua poupança em produtos de Renda Fixa, pois os juros sempre foram muito elevados no Brasil, garantindo um crescimento acelerado dos seus investimentos. Contudo, num cenário de queda de taxas de juros é imprescindível migrar uma parte da poupança de longo prazo para o mercado de ações e de títulos de longo prazo se o investidor quiser garantir uma boa rentabilidade.

Em toda conversa sobre investimento (principalmente os de longo prazo) uma das questões que sempre aparece é o percentual ideal que deve ser aplicado em Renda Variável. Não existe uma regra mágica, pois depende da disposição de cada pessoa a correr risco, contudo, uma regra que é comum a todos os analistas é que quanto mais novo for o investidor, maior o tempo para recuperar eventuais perdas (permitindo uma parcela de investimento maior em renda variável). À medida que esse investidor envelhece, o percentual em renda variável deveria diminuir, para garantir maior segurança aos seus investimentos.


Para facilitar o cálculo do percentual dos investimentos de longo prazo que deve ser aplicado em renda variável em função da idade, proponho utilizar as seguintes fórmulas (apenas como sugestão):


  • Investidor Conservador: 60 – idade = % em renda variável
  • Investidor Moderado: 80 – idade = % em renda variável

Para exemplificar, se um investidor conservador tem 30 anos, assumindo as funções apresentadas, deveria aplicar 30% (60 - 30 = 30%) das suas reservas em renda variável e um investidor moderado de 45 anos deveria aplicar 35% (80 - 45 = 35%).


É importante lembrar que os percentuais devem ser ajustados de tempos em tempos. Outra dica importante é quanto ao momento de entrar e sair da bolsa. Todo investidor quer acertar o mínimo na compra e o máximo na venda, mas nem sempre isso é possível. Vários estudos mostram que a melhor forma de entrar e sair é aos poucos. Assim, mantenha a disciplina para investir (por exemplo mensalmente) independente de a bolsa estar "cara" ou "barata" e quando for sair, vá ajustando os percentuais aos poucos (divida em pelo menos 3 etapas).


Artigo escrito por Pedro Borges Neto, CFP

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Fundo de ações Petrobrás

Caros leitores,

Apresentamos a seguir a dúvida de um leitor que, acreditamos, deve ser a dúvida de muita gente nesses dias. Em seguida, fazemos os nossos comentários:

Há alguns anos apliquei R$ 9 mil, em um fundo de ações Petrobras. Por inexperiência, acabei não resgatando o valor quando a rentabilidade estava positiva. Hoje, o saldo do referido fundo é de aproximadamente R$ 7 mil. Ou seja, já perdi aproximadamente R$ 2 mil.

Minha dúvida e: devo manter esse investimento e aguardar uma valorização, tendo em vista a questão do pré-sal, mesmo sabendo da taxa de administração de 2%. Ou devo resgatar o valor integralmente e buscar um novo investimento. Neste caso qual seria a melhor forma de investir o valor resgatado.

Obs: não vou fazer uso do dinheiro em curto prazo, posso aplicá-lo por pelo menos cinco anos ou mais.

Atenciosamente,

EMS
Cuiabá/MT

Prezado EMS,

No curto prazo, o cenário para a bolsa de valores não está nada bem, basta acompanhar as análises semanais que publicamos todas as segundas-feiras para ver que o mercado de ações vai continuar sofrendo. Mas, como você mencionou que não vai fazer uso do dinheiro no curto prazo e, dado que você já sofreu com toda a desvalorização das ações da Petrobrás até o momento, não recomendamos que você saia da renda variável.

No artigo Por que diversificar. Ou: devo colocar todos os ovos na mesma cesta? explicamos porque, em nossa visão, devemos diversificar os investimentos, principalmente quando se trata de renda variável. Ao comprar ações de uma determinada empresa, você estará sujeito a todos os revezes que essa companhia enfrentar (chamado de risco não sistemático, ou diversificável), além do próprio risco do mercado como um todo (risco sistemático), pois, dificilmente uma ação sobe quando o mercado está em forte queda (e vice-versa). Ao comprar uma carteira de ações bem diversificada, você estará sujeito apenas ao risco do mercado (risco sistemático). Ou seja, uma carteira diversificada reduz riscos.

Logo, comprar (ou vender) ações de uma única empresa só é recomendável para quem tem tempo à disposição para analisar (analise fundamentalista ou técnica) e acompanhar de perto o desempenho de tais ações ao longo dos pregões. Se esse não for o seu caso, fuja da compra isolada de ações ou da compra de fundos especializados apenas em uma empresa.

Para os leigos ou para quem não tem tempo, mas quer investir em renda variável, recomendo um fundo de ações (Ibovespa, IBr-X), através de um banco que lhe ofereça a menor taxa de administração possível. Ou então um Exchange Trade Fund (ETF), tais como o PIBB11 e BOVA11, que são fundos que replicam o comportamento de um índice de mercado. As cotas dos ETF são vendidas no próprio mercado de ações.


Existem outras formas de operar no mercado de ações, tais como operar na venda, termo, futuro, derivativos, mas isso é para experts, pois o risco de tais operações é exponencial.

Resumo da ópera: sugerimos que você se desfaça das cotas no fundo Petrobras e adquira uma carteira diversificada de ações, ou então um fundo de ações que replique um índice de mercado, ou até um ETF.

Outra dica: caso você venha a vender as cotas do fundo Petrobras, pare imediatamente de acompanhar a sua evolução. Foque nos seus atuais investimentos e não nos investimentos que você poderia ter, ou que já teve. Acompanhar o rendimento de investimentos passados ou possíveis só faz mal.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

Fundo de ações Petrobrás

Caros leitores,

Apresentamos a seguir a dúvida de um leitor que, acreditamos, deve ser a dúvida de muita gente nesses dias. Em seguida, fazemos os nossos comentários:

Há alguns anos apliquei R$ 9 mil, em um fundo de ações Petrobras. Por inexperiência, acabei não resgatando o valor quando a rentabilidade estava positiva. Hoje, o saldo do referido fundo é de aproximadamente R$ 7 mil. Ou seja, já perdi aproximadamente R$ 2 mil.

Minha dúvida e: devo manter esse investimento e aguardar uma valorização, tendo em vista a questão do pré-sal, mesmo sabendo da taxa de administração de 2%. Ou devo resgatar o valor integralmente e buscar um novo investimento. Neste caso qual seria a melhor forma de investir o valor resgatado.

Obs: não vou fazer uso do dinheiro em curto prazo, posso aplicá-lo por pelo menos cinco anos ou mais.

Atenciosamente,

EMS
Cuiabá/MT

Prezado EMS,

No curto prazo, o cenário para a bolsa de valores não está nada bem, basta acompanhar as análises semanais que publicamos todas as segundas-feiras para ver que o mercado de ações vai continuar sofrendo. Mas, como você mencionou que não vai fazer uso do dinheiro no curto prazo e, dado que você já sofreu com toda a desvalorização das ações da Petrobrás até o momento, não recomendamos que você saia da renda variável.

No artigo Por que diversificar. Ou: devo colocar todos os ovos na mesma cesta? explicamos porque, em nossa visão, devemos diversificar os investimentos, principalmente quando se trata de renda variável. Ao comprar ações de uma determinada empresa, você estará sujeito a todos os revezes que essa companhia enfrentar (chamado de risco não sistemático, ou diversificável), além do próprio risco do mercado como um todo (risco sistemático), pois, dificilmente uma ação sobe quando o mercado está em forte queda (e vice-versa). Ao comprar uma carteira de ações bem diversificada, você estará sujeito apenas ao risco do mercado (risco sistemático). Ou seja, uma carteira diversificada reduz riscos.

Logo, comprar (ou vender) ações de uma única empresa só é recomendável para quem tem tempo à disposição para analisar (analise fundamentalista ou técnica) e acompanhar de perto o desempenho de tais ações ao longo dos pregões. Se esse não for o seu caso, fuja da compra isolada de ações ou da compra de fundos especializados apenas em uma empresa.

Para os leigos ou para quem não tem tempo, mas quer investir em renda variável, recomendo um fundo de ações (Ibovespa, IBr-X), através de um banco que lhe ofereça a menor taxa de administração possível. Ou então um Exchange Trade Fund (ETF), tais como o PIBB11 e BOVA11, que são fundos que replicam o comportamento de um índice de mercado. As cotas dos ETF são vendidas no próprio mercado de ações.


Existem outras formas de operar no mercado de ações, tais como operar na venda, termo, futuro, derivativos, mas isso é para experts, pois o risco de tais operações é exponencial.

Resumo da ópera: sugerimos que você se desfaça das cotas no fundo Petrobras e adquira uma carteira diversificada de ações, ou então um fundo de ações que replique um índice de mercado, ou até um ETF.

Outra dica: caso você venha a vender as cotas do fundo Petrobras, pare imediatamente de acompanhar a sua evolução. Foque nos seus atuais investimentos e não nos investimentos que você poderia ter, ou que já teve. Acompanhar o rendimento de investimentos passados ou possíveis só faz mal.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Previdência: Renda Fixa ou Renda Variável?





A primeira coisa que a maioria das pessoas pensa quando é questionada sobre a diferença entre Renda Fixa e Renda Variável é que a última varia e a primeira não. Essa é a principal dificuldade para entender as variações que ocorrem nos investimentos em Renda Fixa (Fundos de Investimento RF, por exemplo).


O que caracteriza um ativo de Renda Fixa é o conhecimento prévio da sua rentabilidade (i.e. um título público pré-fixado – LTN – promete pagar 11% a.a. no seu vencimento – 15/mar/2012). Em muitos casos a rentabilidade que receberemos não é conhecida – por ter um indexador (IGP-M, IPCA, Dólar) – contudo, no vencimento, basta seguir a regra para encontrar a rentabilidade (i.e. uma Debênture da Petrobras promete pagar IGP-M + 6,5% a.a. no seu vencimento – 20/abr/2015). É importante apenas enfatizar que a rentabilidade só é conhecida no vencimento. Caso o investidor precise do dinheiro antes do vencimento do título, será necessário vendê-lo pelo valor que o mesmo estiver sendo negociado no mercado, podendo inclusive ter prejuízo nessa operação (falaremos mais sobre isso em outro momento).



Um ativo de renda variável, por outro lado, não prevê nenhuma garantia de rentabilidade. Quando alguém adquire uma ação preferencial (PN) da Vale do Rio Doce (VALE5) não existe nenhuma garantia de rendimento, os ganhos dependerão do resultado da empresa, que será apropriado pelo investidor na forma de dividendos e da valorização da ação no mercado secundário. Apesar do rendimento não ser conhecido, esse tipo de investimento apresenta um retorno muito interessante, principalmente quando o horizonte de investimento é de médio/longo prazo.


Nos últimos anos os investidores brasileiros se acostumaram a concentrar grande parte de sua poupança em produtos de Renda Fixa, pois os juros sempre foram muito elevados no Brasil, garantindo um crescimento acelerado dos seus investimentos. Contudo, num cenário de queda de taxas de juros, como o atual, é imprescindível migrar uma parte da poupança de longo prazo para o mercado de ações, se o investidor quiser garantir uma boa rentabilidade.
Em toda conversa sobre investimento (principalmente os de longo prazo) uma das questões que sempre aparece é o percentual ideal que deve ser aplicado em Renda Variável. Não existe uma regra mágica, pois depende da disposição de cada pessoa a correr risco, contudo, uma regra que é comum a todos os analistas é que quanto mais novo for o investidor, maior o tempo para recuperar eventuais perdas (permitindo uma parcela de investimento maior em Renda Variável). Ao contrário, à medida que esse investidor envelhece, o percentual em Renda Variável deveria diminuir, para garantir maior segurança aos seus investimentos.


Para facilitar o cálculo do percentual dos investimentos de longo prazo (i.e. Previdência) que deve ser aplicado em Renda Variável em função da Idade, proponho utilizar as seguintes fórmulas (apenas como sugestão):

  • Investidor Conservador: 60 – idade = % em RV
  • Investidor Moderado: 80 – idade = % em RV

Para exemplificar, se um Investidor Conservador tem 30 anos, assumindo as funções apresentadas, deveria aplicar 30% (60 - 30 = 30%) das suas reservas em Renda Variável e um Investidor Moderado de 45 anos deveria aplicar 35% (80 - 45 = 35%).


É importante lembrar que os percentuais devem ser ajustados de tempos em tempos. Outra dica importante é quanto ao momento de entrar e sair da bolsa. Todo investidor quer acertar o mínimo na compra e o máximo na venda, mas nem sempre isso é possível. Vários estudos mostram que a melhor forma de entrar e sair é aos poucos. Assim, mantenha a disciplina para investir (por exemplo mensalmente) independente de a bolsa estar "cara" ou "barata" e quando for sair, vá ajustando os percentuais aos poucos (divida em pelo menos 3 etapas).


Artigo escrito por Pedro Borges Neto, CFP