sexta-feira, 23 de março de 2012

Valor Econômico: Juro em queda e longevidade exigem mais planejamento

Depois de eleita, a presidenta Dilma Rousseff enumerou os objetivos de seu primeiro mandato. Entre eles, reduzir a o juro real, que é obtido através da subtração da taxa básica de juros pela inflação, para 2% até 2014. Se conseguirmos tal proeza, teremos uma taxa de juros semelhante às taxas de juros de economias mais desenvolvidas. A boa notícia vem acompanhada de um alerta: o brasileiro deverá planejar cuidadosamente sua aposentadoria, se não quiser ficar vulnerável na velhice. O artigo de Silvia Rosa, para o jornal Valor Econômico, demonstra bem como a queda dos juros pode afetar a sua aposentadoria complementar. Boa leitura.


Valor Econômico - 23/02/2012
Silvia Rosa | De São Paulo

A tendência de queda da taxa básica de juros no Brasil vai exigir dos brasileiros um planejamento ainda mais cuidadoso para a aposentaria. Com o desejo do governo de trazer a Selic para um dígito de maneira mais consistente - e a possibilidade de que isso traga a inflação para um nível superior aos 4,5% do centro da meta também de maneira mais permanente -, iniciar o quanto antes a formação de uma poupança de longo prazo para garantir uma renda complementar ao benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) torna-se cada vez mais importante. Mais do que isso, porém, será preciso avaliar com atenção as opções disponíveis, sob pena de perder o poder de compra da poupança feita.

Levantamento do banco Santander mostra o impacto da queda da taxa de juros no valor das contribuições mensais dos participantes. Considerando o atual cenário de taxa Selic, em 10,5% ao ano, um participante com idade de 25 anos com um salário mensal de R$ 7,5 mil que quisesse manter a mesma renda após a aposentaria, com 65 anos, teria que fazer uma contribuição equivalente a 2% do seu rendimento. Uma queda da taxa de juros para 7%, no entanto, implicaria em aumento da contribuição para o equivalente a 5% da sua renda.

"E quanto mais tarde o investidor começar a contribuir com o plano de previdência maior será a parcela da renda que terá que ser comprometida", destaca Sinara Polycarpo, superintendente de investimentos do Santander.

Segundo ela, a contribuição de um valor fixo do salário de certa forma já garante a correção pela inflação, uma vez que os salários sofrem reajustes anuais. No entanto, o investidor pode optar por contribuir com uma parcela menor do salário no início da adesão e aumentá-la ao longo do período de investimento. "Até os 30 anos, geralmente o investidor tem mais gastos com cursos para aperfeiçoamento profissional, ou mesmo com a formação de patrimônio, como a compra da casa própria. Mais tarde, esses gastos tendem a diminuir, sobrando maior parcela do salário, que pode ser direcionada para aplicações."

Além do juro menor previsto, outra questão que contribui para elevar o desafio do planejamento da aposentadoria é o aumento da longevidade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida média dos brasileiros em 2011 era de 73,5 anos. O IBGE estima que, em 2050, o Brasil terá cerca de 64 milhões de pessoas com idade acima de 60 anos.

Quem já contribui há pelo menos dez anos para um plano de previdência e quiser garantir a renda estimada inicialmente terá que aumentar a parcela da contribuição ou retardar a idade da aposentadoria, afirma Rodrigo Menon, sócio da Beta Advisor.

As alocações, no entanto, dependem do perfil de risco do cliente e do horizonte de investimentos. Para Menon, quanto mais longo o prazo da aplicação, maior exposição a risco o investidor pode ter. "Para garantir o rendimento de 1% ao mês que estava acostumado, o investidor terá que aumentar a parcela aplicada em renda variável", diz o sócio da Beta Advisor. Hoje, pela legislação, o máximo que um fundo de previdência pode aplicar em ações é 49% do portfólio.

Muitos planos de previdência já fazem a alocação de acordo com o prazo de investimento de cada cliente, como o produto "ciclo de vida" da Brasilprev. "O plano busca diversificar os investimentos em renda fixa e variável em função do objetivo do participante", afirma Guilherme Alexandre Rossi, gerente de negócios de alta renda da BrasilPrev.

Menon, da Beta, alerta que a maioria das seguradoras não cobra taxa de carregamento para aplicações de maior volume no médio e longo prazos em fundos de previdência. No entanto, as taxas de administração desses produtos costumam ser maiores que a dos fundos de investimento. "O custo é o que mais impacta na rentabilidade das carteiras de previdência, principalmente nos portfólios com perfil mais conservador, concentrado em aplicações de renda fixa", afirma.

Levantamento da NetQuant mostra que os fundos de previdência de renda fixa fecharam 2011 com ganho de 10,38%. Esse retorno ficou abaixo da variação do CDI no período, de 11,60%, e da rentabilidade dos tradicionais fundos de renda fixa, que apresentaram valorização de 12,47% no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Apesar de o custo dos fundos de previdência ser muitas vezes maior que o dos fundos de investimento, o sócio da Beta cita algumas vantagens em aplicar nesses planos: o fato de não ter o desconto do Imposto de Renda (IR) semestral, conhecido como come-cotas, cobrado nos fundos de investimento, e a possibilidade de abatimento das contribuições no IR até o teto de 12% para os participantes que optarem pelo Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e fizerem a declaração pelo modelo completo.

De acordo com Sinara, do Santander, essa vantagem fiscal é considerável quando se leva em conta o investimento pelo prazo de no mínimo dez anos. Um investidor que optasse por um plano Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) com desconto de 10% de IR, considerando a tabela regressiva, teria R$ 202 mil ao fim do período, enquanto num fundo de renda fixa o saldo seria de R$ 193 mil, devido ao efeito do come-cotas.

Uma outra opção aos fundos de previdência para garantir um rendimento regular é montar um portfólio de ações de empresas que pagam bons dividendos e apresentam fluxo de caixa estável. "Isso faz sentido principalmente quando se pensa em montar uma carteira para os filhos, em que o horizonte de investimento é de, no mínimo, 15 anos", destaca Menon, da Beta.

A preocupação com o futuro dos filhos também tem se refletido no mercado de planos de previdência. Na BrasilPrev, os chamados planos juniores, voltados para os menores de idades, representam 54% do total de 1,6 milhão de planos da carteira da seguradora, o que mostra a preocupação cada mais cedo dos pais em formar uma poupança de longo prazo para seus filhos, seja para financiar o estudos, uma viagem para o exterior ou ajudar na abertura de um negócio. O tíquete médio desses clientes, no entanto, tem sido de R$ 68, comparado com uma contribuição média de R$ 139 dos demais participantes.

Além disso, os fundos de previdência podem ser usados com a finalidade de planejamento sucessório. Isso porque o valor investido não entra no inventário e é repassado diretamente aos herdeiros.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Fale Conosco: vale a pena investir no Tesouro Direto?

Caros leitores e leitoras,

Nosso amigo SN, de São Paulo/SP, enviou uma série de perguntas em nossa página Fale Conosco. São dúvidas muito frequentes entre aqueles que não investem, mas gostariam de investir no Tesouro Direto. Por isso, iremos compartilhar nossas respostas com todos os leitores do Blog. Boa leitura.


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Boa noite,

Eu sempre utilizei a poupança como forma de economizar dinheiro (foi assim que tive dinheiro suficiente para comprar meu carro etc.). No momento, tenho um dinheiro guardado lá, mas é pouco.

Comecei a me interessar por Tesouro Direto. Acontece que li sobre este assunto e muitos dizem que com todas as mudanças na economia, taxas etc, não esta sendo tão vantajoso investir no Tesouro Direto. Minhas perguntas são:

- ainda é vantajoso investir no Tesouro Direto ?

- meu investimento é para curto prazo (para me familiarizar com o investimento) e com valores baixos (até R$ 500,00). Qual seria a melhor opção para mim ? 

- se houver algum investimento bom a médio/longo prazo com esses valores, para mim também é interessante

- Quais agentes de custódia não tem taxas? E quais seriam parceiros com o Banco Bradesco (para DOC/TED)?
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Seguem as nossas respostas ao leitor SN:

Sim, é vantajoso investir no Tesouro Direto, desde que você tome as devidas precauções. A primeira precaução é escolher uma corretora ou banco, conhecidono Tesouro Direto como agente de custódia, que cobre a menor taxa possível, de modo a potencializar os seus ganhos. Como você mesmo escreveu, existem agentes de custódia que sequer cobram taxas. Não podemos recomendar esse ou aquele agente de custódia, mas podemos lhe dizer que a própria Secretaria do Tesouro Nacional (TN) publica em seu site o ranking dos agentes de custódia, classificados pela taxa cobrada. Para saber mais, clique aqui.

E já que estamos de agentes de custódia, vamos direto à sua última pergunta. TODOS os agentes de custódia aceitam DOC/TED de qualquer banco. Ou seja, se for de seu interesse (ou do interesse do seu bolso), escolha um agente de custódia que cobre menos, mesmo que este não seja ligado diretamente ao banco onde você possui conta.

A segunda precaução que você deve tomar é a escolha do título público que melhor se encaixe às suas necessidades, ao seu horizonte de tempo e ao seu apetite de risco. Atualmente o TN disponibiliza os seguintes títulos no Tesouro Direto:

Letras Financeiras do Tesouro (LFT): a LFT é corrigida diariamente pela variação da taxa Selic e não são feitos pagamentos de juros semestralmente (cupom). São os títulos mais indicados para os iniciantes como você, pois são os títulos públicos cujos preços menos variam com as alterações das taxas de juros.

Notas do Tesouro Nacional - série B (NTN-B) : são títulos que preservam o poder de compra do investidor, uma vez que são corrigidos pela inflação (IPC-A). Pagam juros de cerca de 3% ao semestre. Depois das LFT, são os títulos menos arriscados do Tesouro Direto. Principalmente aqueles com prazo de vencimento menor.

Notas do Tesouro Nacional - série B Principal (NTN-B Principal): semelhantes às NTN-B, porém os juros não são pagos semestralmente. Tal característica faz com que os preços das NTN-B prinpais oscilem mais com as alterações da curva de juros ou da inflação.

Letras do Tesouro Nacional (LTN) : título com preço prefixado em R$ 1.000,00 no vencimento. Ou seja, antes do vencimento você adquire uma LTN por um valor abaixo de R$ 1.000,00 e a diferença entre o preço que você paga por uma LTN antes do vencimento e os tais R$ 1.000,00 no vencimento é chamado de prêmio. A LTN não é corrigida por qualquer índice de inflação e também não paga juros semestralmente. São indicadas para quem tem um bom apetite para o risco ou para quem pode comprar o título sem a necessidade de vendê-lo antes de seu vencimento (chamamos isso de "carregar" o título até o seu vencimento).

Notas do Tesouro Nacional - série F (NTN-F): semelhante às LTNs (prefixados). Porém as NTN-F costumam ter os vencimentos mais distantes. Outra característica das NTN-F é o pagamento de juros (cupom) semestralmente, em torno de 5%. Também são indicadas para quem tem um bom apetite para o risco, pois o preço de uma NTN-F, tal como acontece com as LTN, oscila muito até o seu vencimento.

No Tesouro vale a velha máxima: maior retorno é igual a maior risco. Para você ter uma ideia da rentabilidade dos títulos atualmente à venda no Tesouro Direto, clique aqui.

A última preocupação que você deve ter, já que hoje você trabalha exclusivamente com a poupança, é o recolhimento do Imposto de Renda (IR). No Tesouro Direto, paga-se IR sobre os ganhos de cada aplicação, às seguintes taxas:
  • 22,5% para o ganho de investimentos com menos de seis memes;
  • 22,0% para o ganho de investimentos com mais de seis meses e menos de um ano;
  • 17,5% para o ganho de investimentos com mais de um ano e menos de dois anos; e
  • 15,0% para o ganho de investimentos com mais de dois anos.
Convidamos você e todos os leitores a ler outros artigos sobre o Tesouro Direto postados no Blog ABC do Dinheiro. Clique aqui.

Se você também tem dúvidas sobre nossos artigos, ou quer propor um estudo de casos para o ABC do Dinheiro, faça como nosso leitor SN. Entre em contato conosco através da área de comentários dos artigos, através de nossa página no FacebookTwitter ou através do Fale Conosco.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Infomoney: Seguro: saiba como se prevenir de fraudadores

O mercado de seguros no Brasil ainda é relativamente pequeno. Poucas pessoas dão a devida importância a um instrumento que garante a tranquilidade e a segurança em caso de imprevistos.

Por ser pouco utilizado e conhecido, os seguros às vezes são utilizados por pessoas inescrupulosas que tentam ludibriar pessoas de boa fé como eu e você. Na reportagem de Welington Vital de Oliveira, para o portal Informoney, você encontrará algumas dicas para se prevenir contra esses malfeitores. Boa leitura.


Seguro: como se prevenir de fraudadores
Por Welington Vital de Oliveira, do portal Infomoney

Antes de fechar uma proposta de seguro, o consumidor precisa tomar uma série de cuidados para não cair em golpes. O mais importante deles é a identificação clara e precisa do corretor, que é o único profissional habilitado a comercializar seguros.

“Mesmo que o profissional esteja uniformizado, o cliente não deve entregar logo o dinheiro ou documentos pessoas. Antes, é preciso conferir a carteira de corretor habilitado, da pessoa que está oferecendo o seguro”, explicou o corretor de seguros Arnuss Wittitz Junior, conforme publicado pelo CQCS (Centro de Qualificação do Corretor de Seguros).

O corretor aconselha os consumidores a pesquisarem o máximo de informações sobre o vendedor ou o visitante na internet, no entanto, ele alerta que tudo deve ser pesquisado da melhor forma possível. “Existe muita verdade, mas também muita mentira na web. Então, todo cuidado é pouco”, explica.

Outras dicas de segurança

Ainda de acordo com Wittitz Junior, o segurado deve desconfiar se o vendedor insistir que a forma de pagamento é somente em dinheiro, a ser retirado na casa do cliente. Nesses casos, o melhor é optar por um boleto, onde a “cedente” é sempre a seguradora e o segurado é o “sacado”.

Nos casos em que o seguro for parcelado e a opção de pagamento for dinheiro ou cheque ao corretor, os segurados precisam acompanhar a quitação completa do valor. É comum os golpistas  realizarem apenas o primeiro pagamento e embolsarem os demais. Outra dica é comparar as ofertas e ficar alerta aos valores baixos demais.

Para os casos de seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), onde a entrada no pedido de indenização é gratuito, é importante não entregar documentos, dinheiro ou cheques para intermediários.

Clique aqui para ler a reportagem no site da Infomoney.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Notal Legal (GDF) - Pague menos IPVA e IPTU

Contribuintes do Distrito Federal, o prazo para destinar os créditos adquiridos no Programa Nota Legal, do Governo do Distrito Federal - GDF termina no próximo dia 29/02/2012. Quem for cadastrado no programa pode escolher para onde destinar seus créditos - IPTU ou IPVA - podendo ser bens de sua propriedade ou de terceiros. Para tanto, basta informar para qual Imóvel ou Veículo gostaria de destinar os créditos e o desconto já virá informado no documento de cobrança do IPVA e/ou IPTU. É importante lembrar que só poderá usar os créditos quem estiver em dia com suas obrigações junto ao GDF.



Programa Nota Legal foi criado pelo Governo em 15/set/2008 o devolve até 30% do ICMS e do ISS efetivamente recolhido pelo estabelecimento aos consumidores que informarem seu CPF no momento da compra do produto ou serviço. Esse programa é um incentivo para que os cidadãos que adquirem  mercadorias ou serviços exijam do estabelecimento comercial o documento fiscal, forçando a formalidade que, no médio prazo, deve contribuir para uma distribuição melhor da arrecadação. Ainda, é uma forma justa de devolver parte dos impostos pagos pelos contribuintes que estão em dia com suas obrigações.


Para participar do programa basta informar seu CPF nos estabelecimentos cadastrados e fazer o registro do CPF no site do Programa Nota Legal. Vale salientar que muitos serviços já exigem a informação de um CPF o que faz com que os contribuintes ao se cadastrar já tenham créditos disponíveis para utilizar ainda em 2012. Contudo, se não for possível utilizar os créditos, eles ficarão na sua conta por até 2 (dois) anos, podendo ser utilizados como desconto nos valores a pagar de IPVA e IPTU no próximo exercício.


De acordo com o site do Programa o IMC (Índice Médio de Crédito) em Nov/2011 estava em 3% para o ICMS e 1% para o ISS. Dessa forma, para ter uma ideia sobre o valor do crédito que você receberá por conta, é necessário apenas multiplicar o valor da nota por 3% para ICMS e por 1% para o ISS.

Números referentes a 2011:
Utilização dos créditos para abatimento no IPTU/IPVA-2011
Consumidores que efetuaram a indicação: 106.216
IPVA (75.290 veículos): R$ 17.289.536,12
IPTU (20.245 imóveis): R$ 5.762.509,57
Total utilizado: R$ 23.052.045,69

Números acumulados do Programa Nota Legal até Nov/2011
Créditos distribuídos:  R$ 219.747.450,16
Documentos fiscais:  44.315.907
Consumidores beneficiados (pessoas físicas e jurídicas): 2.244.352
Empresas participantes em caráter obrigatório: 70.797 (*)
(*) posição em 14/01/2012.

Artigo escrito por Pedro Borges Neto, CFP

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Fale conosco: NTN-B

Caros leitores,

Segue mais um estudo de caso recebido em nossa página Fale Conosco, que vale a pena compartilhar com todos. O assunto é Tesouro Direto.


"Tenho 20 anos, muito interesse e curiosidade de investir no Tesouro Direto. Separei uma quantia por mês para começar. Minha dúvida é sobre a NTNB-B. Andei lendo algumas coisas e achei o título mais rentável para investir em 2012.

Gostaria de saber se realmente seria uma boa para começar e gostaria de entender como faço. Por exemplo: em Janeiro invisto R$ 100 e, em fevereiro, quero investir mais R$ 200. Tem como investir no mesmo título para aumentar o valor?

M. C.
Ribeirão Preto/SP

Caro M.C.,

Primeiramente, parabéns pela vontade de investir e também pela vontade de aprender mais sobre as possibilidades de investimento existentes. Você já sabe que nós do ABC do Dinheiro somos fãs do Tesouro Direto, que é a forma de adquirir diretamente os títulos públicos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), sem intermediários.

Bem, as Notas do Tesouro Nacional da Série B (ou NTN-B) são títulos públicos corrigidos pela variação do IPC-A, que é um índice de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, são ideais para quem quer manter o valor do dinheiro investido ao longo dos anos. Além disso, as NTN-B tem outras duas características interessantes:
  • pagam 2,94% sobre o valor investido a cada semestre. Isso é o cupom do papel; e
  • a compra do título geralmente é feita com um deságio.
A STN permite que você compre, no mínimo, 0,2 título. Em uma próxima compra, se você quiser, pode adquirir outros 0,2 (ou 0,4, ou 0,6, ou 0,8, 1,0 e por aí vai).


Mas nem tudo são flores. Primeiramente, as NTN-B são caras, valem aproximadamente R$ 2.200 cada uma. Portanto, para comprar 0,2 NTN-B você vai precisar de, no mínimo, R$ 440. Outro problema das NTN-B, principalmente as NTN-B com vencimento mais longo (2020, 2024, 2035 e 2045), é que os preços dos títulos variam muito. Às vezes, para quem está começando, isso pode ser problemático, principalmente para quem está começando.

No mais, use e abuse dos artigos escritos aqui no Blog e dos muitos tutoriais que existem no próprio site da STN.

Bem, espero ter ajudado.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Como equilibrar suas contas?

O endividamento dos brasileiros atingiu seus níveis mais altos na história em 2011. Muitos já perderam o crédito e vivem adquirindo dívidas atrás de dívidas para honrarem outras dívidas, entrando em um desconfortável e perigoso circulo vicioso. Alguns se endividaram para cobrir gastos imprevistos, outros, infelizmente, se endividaram por pura falta de controle sobre suas finanças, gastando mais do que teriam capacidade de honrar. É importante ressaltar que não existe uma solução milagrosa e que algum sacrifício será necessário para se livrar desta situação desconfortável.

A primeira atitude a ser tomada é fazer um mapeamento do seu estilo de vida, fazendo um levantamento minucioso de suas contas, sua renda e despesas do dia-a-dia, inclusive as pequenas despesas. Três meses já seriam o suficiente para se ter uma idéia do seu perfil de consumo. Esta fase é chata e cansativa, principalmente por prever uma mudança de hábito, mas é uma fase importante no processo de equilíbrio de contas e deve ser feito em conjunto com o(a) cônjuge, quando for o caso. Estes levantamentos podem ser armazenados em uma planilha Excel, em um caderno de anotações ou em sistemas próprios para isso. É importante anotar tudo nesta fase. O controle sobre suas finanças permitirá que você tome decisões conscientes sobre o seu consumo, mantendo seu padrão de vida de maneira consciente, equilibrada e planejada.

A parte crucial do seu equilíbrio é a sua renda e seus rendimentos. Em última instância, são eles que determinam qual será o seu padrão de vida. As despesas mais os investimentos devem ser menores do que a sua renda. Isto parece trivial e lógico, mas poucos seguem esta regra. O hábito da poupança é fundamental na vida de qualquer pessoa, independentemente do nível de renda.

Após o mapeamento dos seus gastos e agrupá-los em Moradia, Alimentação, Transporte, Lazer etc, passaremos para o segundo passo que é a identificação dos gastos que podem sofrer cortes apenas com mudanças de hábitos, como:

1) restaurantes: passar a comer mais em casa e menos na rua, evitando os restaurantes caros;

2) academia: mudar para uma caminhada na rua ou comprar equipamentos para fazer ginástica em casa. Esta pode ser uma medida temporária até que as contas estejam equilibradas;

3) tv a cabo: talvez você possa mudar para um pacote mais barato e que possa satisfazer as suas necessidades ou mesmo cortar temporariamente a tv a cabo;

4) telefonia: criar hábitos de falar menos ao celular ou mudar para uma operadora com tarifas mais baixas ou para planos mais em conta. As vezes, apenas com uma mudança de plano já é possível diminuir os gastos. Em muitos casos pagamos por planos mais caros, que contemplam serviços que nunca utilizamos;

5) eletricidade: apagar as luzes, trocar chuveiros elétricos por outros, retirar os aparelhos da tomada;

Em suma, devemos identificar os desperdícios e evitá-los. A soma dos pequenos gastos faz toda a diferença.

Qual o problema de se contrair dívidas? O principal é que as dívidas diminuem o seu padrão de vida e, por consequência, o seu bem estar e o de sua família. Por exemplo, os altos juros pagos nas dívidas de cartão de crédito ou cheque especial é um recurso que estaria sendo destinado para outra finalidade, como uma viagem de férias, um novo automóvel, um fundo de previdência ou um novo apartamento. Gastos que aumentariam o seu bem estar e de sua família, mas que acabam indo para uma instituição financeira, enriquecendo terceiros.

Artigo escrito por Gustavo Garcia.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Primeiro aniversário do ABC do Dinheiro

Hoje faz um ano que o Blog ABC do Dinheiro iniciou suas atividades. Em 8 de janeiro de 2011, publicamos os dois primeiros artigos de um total de de 177 (até o momento). Para os amigos que ajudaram a manter este blog durante o ano de 2011 e para os caros leitores que nos prestigiam, nosso muito obrigado.

Durante o ano de 2011, o blog navegou pelos mais variados assuntos, mas nunca deixou de lado seu principal objetivo, expresso no primeiro artigo intitulado O que é o ABC do Dinheiro. Nele podemos ler que "O Blog ABC do Dinheiro tem como missão descomplicar sua relação com o dinheiro, tornando-a mais saudável, sem truques ou promessas milagrosas, apenas com a difusão de conhecimento de educação financeira.".

Foram muitos artigos sobre todos os assuntos afetos às finanças pessoais, com destaque para os artigos sobre educação financeira, impostos, investimentos e previdência. Também não podemos deixar de destacar as calculadoras financeiras, que de uma forma lúdica, rápida e prática auxiliam nossos leitores nas mais diversas situações.

Em 2012 esperamos continuar nosso trabalho, com algumas novidades e contando sempre com a ajuda de nossos leitores e amigos que, por meio do espaço destinado aos comentários, ou através da página "Fale Conosco", contribuíram para o amadurecimento do projeto, seja com críticas, elogios e sugestões.


Mais uma vez, nosso muito obrigado!