sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O imóvel como investimento

Vamos explorar um pouco os conceitos básicos da aquisição de um imóvel para investimento. Por se tratar de um assunto vasto, vamos nos ater aos conceitos básicos.

Muito se fala sobre a valorização dos imóveis nos últimos anos e, tal valorização, tem chamado a atenção de muitos investidores interessados em diversificar suas carteiras de ativos. Entretanto, a aplicação em imóveis, como qualquer investimento, deve ser precedida de uma cuidadosa análise dos riscos, benefícios, custos
de transação, custos de manutenção e tributação.

Vamos iniciar com os possíveis benefícios advindos da compra de um imóvel para investimento. O principal benefício de um imóvel é a sua valorização ao longo do tempo. Por se tratar de um ativo real (com existência física), o imóvel costuma se valorizar ao longo do tempo, superando, ou pelo menos igualando-se, a variação da inflação do período. Outro benefício possível é o aluguel do imóvel (exceto para terrenos).

Por outro lado, a aquisição e aluguel de um imóvel implica em alguns riscos, que devem ser incorporados à análise do investidor, antes de tomar a decisão pela compra ou aluguel do imóvel. Quando analisamos os riscos, temos que avaliar o potencial de valorização do imóvel que se pretende adquirir que, de forma simplista, depende de sua localização. Imóveis localizados em regiões, cidades e bairros que experimentam um crescimento econômico tendem a se valorizar. O contrário também é verdade: imóveis localizados em regiões que experimentam declínio econômico tendem a se desvalorizar.

E já que falamos em valorização, deve-se ter muito cuidado com a compra de imóveis em áreas que experimentaram valorização acelerada nos últimos anos. Assim como acontece no mercado de ações, um crescimento rápido do metro quadrado pode significar um esgotamento do potencial de valorização. Desta forma, o preço do imóvel tende a se estabilizar ou, em alguns casos, até declinar.

A compra do imóvel também implica em uma série de custos de transação e manutenção, tais como: corretagem, registros em cartório, reformas, energia-elétrica, água e esgoto e, taxas condominiais.

Também é necessário estudar a tributação aplicável aos imóveis. No momento do registro do imóvel adquirido, paga-se o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), em torno de 2% do valor de compra. Já pela propriedade, anualmente, deve-se recolher à fazenda municipal o IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana), que pode chegar a 1% em algumas municípios. No momento da venda, caso haja ganho de capital (preço de venda superior ao preço de aquisição), deve-se recolher o IR (Imposto de Renda), em torno de 15%.

A compra e venda de um imóvel não é algo simples e rápido, portanto, o investidor deve também considerar a liquidez, ou melhor, a falta de liquidez que decorre da aquisição de um imóvel para investimento.

Concluindo nosso artigo sobre imóveis, a compra de um imóvel para investimento pode ser um excelente negócio, mas, deve ser precedida de alguns cuidados e de muito estudo prévio, sobre os possíveis benefícios, os riscos, os custos de transação, manutenção e tributação. Aliás, tal recomendação aplica-se a qualquer modalidade de investimento.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Independência financeira, ou morte!

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas...
Hoje é dia de comemorarmos a Independência do Brasil. Para os mais patrióticos, dia de relembrar das aulas de história, dos personagens e símbolos nacionais. Para os menos nacionalistas, um dia de merecido descanso.

Mas já que o assunto é independência, você sabe responder o que é independência financeira? Aliás, você já conquistou sua independência financeira?

Muita gente acha que ser independente financeiramente é ganhar muito dinheiro. Uma bolada que possibilite gastar à vontade, sem restrições. Não é bem assim...

Ser independente financeiramente é gastar de acordo com os nossos rendimentos, seja qual for esse rendimento. Parece simples, mas para tanto é necessário muita disciplina e uma pitada de autocontrole.

Primeiro, é necessário evitar todo e qualquer tipo de dívida. Em um país onde as taxas de juros para consumo facilmente ultrapassam 3% ao mês, e a inflação está em torno de 5% ao ano, endividar-se é perder um pouco da independência financeira.

Em segundo lugar, devemos resistir ao bombardeio de ofertas e anúncios que nos alcançam a todo o momento. Seja quando assistimos a um programa de televisão, ouvimos rádio ou navegamos na internet, lá está o anúncio, o comercial, que tenta a todo custo criar uma necessidade de consumo que raramente existe.

Terceiro: quando formos consumir, devemos tentar poupar antes e pagar à vista (pedindo um bom desconto). Assim, ao invés de pagarmos juros, recebemos juros.

Quarto: lembre-se que imprevistos sempre acontecem. Uma doença inesperada, um problema familiar, uma demissão etc. Imagine encarar um problema desses sem um tostão no bolso? Portanto, é necessário sempre dispormos de uma reserva para eventuais emergências, algo como seis meses de salário.

Por fim, lembre-se que uma reserva de emergência não terá qualquer validade se você não puder dispor imediatamente do dinheiro. Portanto, recomenda-se que tal reserva seja mantida em investimentos com baixo risco e alta liquidez, tais como a poupança, os CDB’s com liquidez diária, fundos de investimento referenciados DI e Tesouro Direto.

Como disse anteriormente, não é nada fácil. Mas se seguidas tais recomendações, será mais fácil descansar nesse feriado e curtir a SUA INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA.

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

Leia também:

Orçamento doméstico - para que serve?

domingo, 26 de agosto de 2012

Reajuste de aluguel

O Blog ABC do Dinheiro já publicou algumas centenas de artigos, mas, entre os mais lidos, destacamos a Calculadora: reajuste de aluguel, que é o nosso campeão de acessos e leitura. Não é por menos, a compra ou aluguel de um imóvel é um dos assuntos financeiros que mais preocupam os brasileiros.

Além de ser nosso campeão de acessos, o artigo Calculadora: reajuste de aluguel também se destaca pela quantidade de comentários, que normalmente é utilizado para perguntas. A mais comum delas é: quando um contrato de aluguel chega a seu fim, pode o proprietário estabelecer um novo valor livremente? Teria o atual inquilino algum direito ou desconto sobre o novo valor?

Abaixo reproduzimos uma destas perguntas, enviada por uma leitora que se identificou como Cristiane:

Olá, moro há 3 anos em um apartamento e pago R$ 540,00 por mês, e recebi um telegrama da imobiliária dizendo que, a pedido do proprietário, estará reajustando agora em julho para R$ 1.000,00, ou seja , quase 100% a mais. Isso é justo? O que devo fazer? Não entendi o porque disso, já que pago os aluguéis em dia. Pois não posso pagar este valor e não pretendo sair do imóvel.

Bem, nossa resposta a esse tipo de pergunta invariavelmente é:

Cara Cristiane, 

Difícil julgar se o aumento proposto é justo ou não com as informações que você nos passou. Mas vamos tentar ajudá-la, de qualquer forma. 

Se o seu contrato de aluguel está ainda vigente, basta conferir quais são as cláusulas que tratam do reajuste. Normalmente, os contratos de aluguel são reajustados por um índice de inflação (IGP-M na maioria dos casos). Por essa razão criamos a Calculadora: reajuste de aluguel, para auxiliar nossos leitores a calcular o novo aluguel, com base no valor acumulado do IGP-M nos últimos 12 meses, caso o mesmo seja reajustado pelo IGP-M. 

Se esse for o seu caso, um aluguel de R$ 540,00, reajustados pelo IGP-M acumulado nos últimos doze meses encerrados em julho de 2012, daria um novo aluguel no valor de aproximadamente R$ 568,00.

Entretanto, todo contrato de aluguel tem uma prazo e, no final do prazo do contrato, o proprietário do imóvel fica livre para repactuar o valor do aluguel, independentemente do valor estabelecido no contrato anterior. O aluguel de imóvel não escapa da velha máxima que o preço é determinado pela oferta e demanda. Se o valor dos aluguéis da região estiverem em um patamar acima do que você vem pagando, no momento da assinatura de um novo contrato, o proprietário pode pedir um valor acima do que você vem pagando.

Parece injusto para quem paga, mas, devemos lembrar que pode também ser injusto para o proprietário do imóvel. Você já se imaginou sendo dona de um imóvel cujo aluguel da região seja próximo a R$ 1.000,00, estando o seu imóvel alugado por R$ 540,00?

Bem, se esse for o caso, lamento informar que o proprietário pode pedir um novo valor para o aluguel, sem se prender ao valor do contrato anterior ou se prender a qualquer índice de inflação do período.

Cabe a você tentar negociar uma redução do novo valor, utilizando como argumento o fato de ter pago todos os aluguéis no prazo certo, ou mesmo argumentar que você é uma inquilina que cuida bem do imóvel dele etc.

No entanto, se mesmo assim vocês não chegarem a um acordo, lamento informar que ele tem o direito de solicitar a desocupação do imóvel e, nesse caso, a lei permite que seja estabelecido um prazo de 30 dias. 

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães

terça-feira, 31 de julho de 2012

Fale Conosco: Calculadora do Tesouro Direto X Rentabilidade ABC do Dinheiro

Recebemos um questionamento do leitor TFM, da linda cidade de Goiânia/GO, sobre uma possível discrepância entre a Rentabilidade Tesouro Direto, calculada e publicada mensalmente pelo site ABC do Dinheiro, e a rentabilidade apresentada pela Calculadora do Tesouro Direto, disponibilizada pela Secretaria do Tesouro Nacional (TN).

Explicamos neste artigo que sim, existe diferença entre a rentabilidade que apresentamos mensalmente e os valores apresentados pelo TN. E a razão para isso é simples.



Bom dia,

Primeiramente, gostaria de parabenizar o site e a sua proposta de ajudar e estimular a cultura do investimento para que sejam criados novos pequenos investidores como eu.

Pesquisei em todo o site e não consegui dirimir minha dúvida em relação ao Tesouro Direto.

Analisando as datas de pagamento do valor investido, e a minha necessidade do uso do dinheiro, a escolhida foi a LTN com vencimento em 01/01/2015.

Dito isso, notei que o rendimento nos últimos 12 meses foi de 22,53% (o que é excelente!) e se encaixaria como uma luva no que preciso.

Ocorre que ao usar a calculadora do Tesouro Direto e informar a taxa de compra no dia, de 8,78%, e simular a compra de 23 títulos ao custo de R$ 18.532,48 (R$805.76 cada) foi-me informado o rendimento liquido final de R$ 21.963,49.

Então fica a duvida: como o título rende 22,53% se vai me pagar menos de R$ 4.000,00 de juros em 924 dias de investimento! É isso mesmo!? Na calculadora do tesouro eu não deveria colocar os 22,53%? Existe algum outro investimento alternativo!? Estou pensando em deixar em CDB  já que vai render um pouco mais e é menos burocrático.

Obrigado pela atenção.

TFM
Goiânia/GO

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Caro TFM,

Primeiramente gostaria de agradecer pelas palavras de incentivo, que hoje são nosso maior combustível.


A Letra do Tesouro Nacional (LTN) é um título prefixado bem simples, que não possui pagamentos semestrais (cupons). Independentemente do prazo de vencimento, toda LTN vale exatos R$ 1.000,00 na data de vencimento. Ou seja, no momento da compra de uma LTN você saberá exatamente quanto terá da data de vencimento do título.


Em relação à discrepância entre a rentabilidade exibida pela calculadora do Tesouro Direto e a rentabilidade que calculamos mensalmente, vale uma explicação simples: a calculadora do Tesouro Nacional exibe a rentabilidade projetada até o dia de vencimento do título. Já a rentabilidade que calculamos no site é a rentabilidade acumulada dos títulos no último mês, no ano, bem como nos últimos 12, 24 e 36 meses. Em resumo, a calculadora do Tesouro Nacional "olha pra frente", enquanto a rentabilidade que calculamos "olha para trás".


Outra informação importante é que a calculadora do Tesouro Direto traz a rentabilidade anual. Ou seja, um título que rende 8,78% ao ano, tal como no seu exemplo, renderá 18,33% em dois anos, 28,72% em três anos e por aí vai. Já a rentabilidade por nós calculada é a rentabilidade acumulada.


Vale aqui uma observação importante. Para obter a rentabilidade bruta exibida pela calculadora do Tesouro Nacional (os tais 8,78% ao ano do seu exemplo), é necessário adquirir o título público e "carregá-lo" até o seu vencimento. Caso você revenda o título para o Tesouro Nacional antes de seu vencimento, pode obter uma rentabilidade diferente daquela. 


Em relação ao CBD, você tem alguma razão quando diz que ele é menos burocrático. Realmente os bancos fazem de tudo para tornar o CDB um produto simples, pois é uma das formas mais baratas que o banco tem para captar o seu suado dinheirinho. Em compensação, o CDB raramente rende mais que um título do Tesouro Direto. Lembre também que o CDB é um título que embute o risco de crédito da instituição financeira que o emite. Se o banco quebrar...


Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Estado de São Paulo: Troca de planos de previdência dobra em 2012

Os produtos de previdência tem várias características que lhes distinguem dos demais produtos financeiros, tais como a redução do Imposto de Renda para os contribuintes que utilizam a declaração completa do Imposto de Renda (PGBL), o pagamento do Imposto de Renda apenas no momento do resgate, a possibilidade de transformação do valor acumulado em uma renda etc.

Mas, na minha opinião, uma das características mais bacanas dos produtos de previdência é a portabilidade, que permite a troca de plano de previdência, ou seguradora, sem a necessidade de resgate e pagamento de impostos e taxas.

Desta forma, é possível mudar a característica da previdência, aumentando ou diminuindo o risco dos investimentos, bem como mudar de seguradora, na busca de uma maior rentabilidade ou um custo menor (taxa de administração e carregamento).

Yolanda Fordelone assina uma excelente matéria para o Estado de São Paulo, informando que a portabilidade vem aumentado progressivamente no país. Isso se deve aos clientes de previdência que buscam constantemente um melhor custo/benefício para suas aplicações em previdência. Lei a a reportagem aqui.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Valor Econômico: Metade dos DIs não ganha da poupança

A redução da taxa Selic para inéditos 8,00% ao ano já começa a fazer suas primeiras vítimas, os fundos DI, especialmente aqueles cujas taxas de administração são iguais ou superiores a 1,4% ao ano.

Mesmo com a redução do rendimento da caderneta de poupança, que agora tem variação igual a 70% do valor da taxa Selic (quando esta for igual ou inferior a 8,50% ao ano), tal modalidade de investimento traz melhores retornos quando comparados aos retornos gerados pelos fundos DI com taxa de administração superiores a 1,4% ao ano. É o que indica a excelente reportagem de Luciana Seabra, publicada no jornal Valor Econômico em sua edição de 17 de junho de 2012.

Metade dos DIs não ganha da poupança

Por Luciana Seabra, para o Valor Econômico em 17/07/2012 

De opção confortável para investidores conservadores, os fundos DI passaram a alternativa complexa. Até podem valer a pena, mas só depois de se fazer uma série de contas. Entre os fundos DI hoje oferecidos no varejo, 47% perdem para a poupança ou empatam com ela, ainda que o investidor esteja disposto a deixar o dinheiro parado por mais de dois anos para pagar a menor alíquota de Imposto de Renda (IR). O levantamento, com base na Economática, foi feito pelo economista Marcelo d’Agosto, autor do blog “O Consultor Financeiro”, no portal Valor. 

As novas regras da poupança, que vinculam o rendimento da caderneta à taxa básica de juros, e a última queda da Selic, que está em 8% ao ano desde quarta-feira passada, deixam os fundos DI ainda menos competitivos. Para o investidor que vai pagar a menor alíquota de IR (15%), é preciso que a taxa de administração seja menor do que 1,4% para que o retorno do fundo supere o da poupança. 

Para quem busca uma opção de curto prazo, o DI se torna quase inviável. Apenas 22% dos fundos ganham em rentabilidade da caderneta em aplicações de menos de seis meses, em que é preciso pagar 22,5% de IR sobre o rendimento. 

Para aplicações de seis meses a um ano, 70% dos fundos de varejo não satisfazem mais em termos de rentabilidade. Se o dinheiro ficar investido entre um e dois anos, 55% empatam com a caderneta ou perdem para ela. 

A taxa média para fundos DI voltados ao varejo é de 1,28%, segundo o último relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre taxas, referente a maio. Na média, portanto, os fundos DI só ganham da poupança para aplicações de mais de dois anos. 

Com a Selic em 8%, a Taxa Referencial (TR), que faz parte do rendimento da caderneta, na prática se anula, segundo o matemático José Dutra Vieira Sobrinho, vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). “Pode haver uma TR positiva em um ou outro dia, mas a expectativa é que na média seja zero”, diz o professor. O cálculo da taxa é complexo e, segundo Dutra, não precisa mais ser feito ao realizar simulações para decidir pela melhor aplicação. Se a Selic passar por mais um corte, chegando a 7,5%, aí a TR será definitivamente nula, diz o professor. 

Considerando TR igual a zero, as regras da nova poupança determinam que a caderneta pague 70% da Selic, enquanto o fundo DI, em geral, rende a Selic inteira. No caso do fundo, entretanto, é preciso descontar a taxa de administração e o imposto de renda, que varia de acordo com o prazo da aplicação. É assim que Marcelo d’Agosto chega a uma regra prática para aplicações em fundos DI de seis meses a um ano. Elas só ganham da poupança se a taxa for menor do que 12,5% da Selic. No momento, portanto, fundos com taxa de 1% não atraem mais para esse prazo. 

Fazer contas, afirma Dutra, é cada vez mais necessário. A quem já tem dinheiro aplicado no fundo DI, ele sugere olhar a rentabilidade do mês imediatamente anterior. Ao divulgá-la, os gestores já descontam a taxa de administração, mas não o imposto. Então, é preciso verificar, de acordo com o prazo da aplicação, em qual das quatro alíquotas a aplicação se encaixa. Retirado o IR, é só comparar com o retorno da poupança. Dutra recomenda que essa análise seja feita mês a mês. 

“Os gestores vão ter de melhorar a rentabilidade dos fundos e diminuir a taxa de administração ou vão ter problemas”, diz Dutra. Um caminho, espera o professor, deve ser a inclusão de mais títulos do setor privado na carteira, que em geral rendem mais do que os papéis públicos. 

Os bancos estão resistindo a cortar as taxas dos fundos grandes, afirma d’Agosto, porque isso pesaria em suas receitas. “Para o investidor pequeno, em geral a saída é a poupança mesmo”. É bom lembrar que, nesse caso, é preciso esperar a chamada data de aniversário, quando a aplicação completa um mês, para garantir o retorno. Para o fundo DI, a liquidez é diária. 

Em relação à rentabilidade, a taxa de administração que faz o fundo DI valer a pena para qualquer prazo – menor de 0,77% – só é vista, em média, nos fundos com aplicação inicial entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, de acordo com a Anbima. Para quem pode deixar o dinheiro investido por mais de dois anos, a taxa necessária somente pode ser encontrada, na média, para tíquetes de entrada de mais de R$ 10 mil. 

Apesar da desvantagem competitiva, as aplicações em fundos DI superaram os resgates em R$ 18,67 bilhões no primeiro semestre, na maior captação líquida para o período. O resultado, segundo a Anbima, foi influenciado pelas operações de um único fundo, que captou R$ 20 bilhões. Em balanço do setor no semestre, o vice-presidente da Anbima, Robert van Djik, afirmou que a indústria vai se adaptar naturalmente, ajustando as taxas. 

Na pesquisa Focus, a mediana das projeções apuradas pelo Banco Central junto a cerca de cem instituições financeiras aponta para uma Selic de 7,5% ao ano no fim de 2012. Se a autoridade monetária promover esse corte adicional, com base nos cálculos de d’Agosto, o fundo DI só vai ganhar da poupança para taxas de administração entre 0,73% e 1,3%.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Novidades do Tesouro Direto

O Tesouro Direto (TD) completou dez anos de existência no dia 7 de janeiro de 2012. Sem sombra de dúvida, o TD foi uma das melhores novidades que tivemos no Sistema Financeiro Nacional nos últimos anos. E a razão para tal é simples: ao adquirir e vender diretamente os títulos públicos federais, o investidor pode montar portfólios exclusivos, personificados. E o melhor, sem intermediários (gestores) e com expressiva redução de custos (taxas de administração).

Para comemorar seu décimo aniversário, a Secretaria do Tesouro Nacional (TN) e a BMF&Bovespa incorporaram algumas boas novidades ao TD, que destacaremos neste artigo.

A principal novidade é a redução da fração mínima de compra para 0,1 (antes o mínimo era 0,2 título). Para exemplificar o efeito de tal redução, suponha uma LFT com vencimento em 07/03/17 e cujo preço de compra em 20/06/12 era R$ 5.266,38. Com a regra atual, pode-se comprar 0,1 LFT, por R$ 526,64. Antes, seria necessário desembolsar, no mínimo, R$ 1.053,28 (equivalente a 0,2 LFT).

Com a redução da fração mínima de compra, por exemplo, é possível investir no TD a partir de R$ 72,54, que é o valor de 0,1 NTN-B Principal com vencimento em 15/05/35 (o título público disponível com menor preço de venda em 20/06/12).

Outra boa notícia foi a introdução de novas funcionalidades. São elas: agendamento de compra, agendamento de venda e reinvestimento automático de cupons e resgates de títulos na data de vencimento.

O agendamento de compra permitirá ao investidor:
  • agendar uma aplicação;
  • programar compras mensais;
  • definir compras até o cancelamento.
O agendamento de vendas, por sua vez, permitirá ao investidor programar a venda de títulos antecipadamente. Hoje tal operação só pode ser feita no dia.

O reinvestimento de cupons e resgates de títulos no vencimento permitirá ao investidor direcionar o valor líquido dos resgates (ou cupons) automaticamente para uma nova comrpa de títulos públicos de sua escolha (mas com característica semelhante).

Por fim, foram reduzidos os custos cobrados pela BMF&Bovespa. Ao aplicar no TD por meio das novas funcionalidades (agendamento e reinvestimento), o investidor obterá uma redução nos custos, por meio de uma menor taxa de negociação. A partir da terceira compra realizada pelo agendamento de compra, a taxa de negociação cobrada cairá de 0,10% para 0,05%. Além disso, ao optar pelo reinvestimento automático do vencimento do título ou do cupom semestral de juros, o investidor não pagará taxa de negociação.

Que sejam bem-vindas as novidades do TD!

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães