segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Como equilibrar suas contas?

O endividamento dos brasileiros atingiu seus níveis mais altos na história em 2011. Muitos já perderam o crédito e vivem adquirindo dívidas atrás de dívidas para honrarem outras dívidas, entrando em um desconfortável e perigoso circulo vicioso. Alguns se endividaram para cobrir gastos imprevistos, outros, infelizmente, se endividaram por pura falta de controle sobre suas finanças, gastando mais do que teriam capacidade de honrar. É importante ressaltar que não existe uma solução milagrosa e que algum sacrifício será necessário para se livrar desta situação desconfortável.

A primeira atitude a ser tomada é fazer um mapeamento do seu estilo de vida, fazendo um levantamento minucioso de suas contas, sua renda e despesas do dia-a-dia, inclusive as pequenas despesas. Três meses já seriam o suficiente para se ter uma idéia do seu perfil de consumo. Esta fase é chata e cansativa, principalmente por prever uma mudança de hábito, mas é uma fase importante no processo de equilíbrio de contas e deve ser feito em conjunto com o(a) cônjuge, quando for o caso. Estes levantamentos podem ser armazenados em uma planilha Excel, em um caderno de anotações ou em sistemas próprios para isso. É importante anotar tudo nesta fase. O controle sobre suas finanças permitirá que você tome decisões conscientes sobre o seu consumo, mantendo seu padrão de vida de maneira consciente, equilibrada e planejada.

A parte crucial do seu equilíbrio é a sua renda e seus rendimentos. Em última instância, são eles que determinam qual será o seu padrão de vida. As despesas mais os investimentos devem ser menores do que a sua renda. Isto parece trivial e lógico, mas poucos seguem esta regra. O hábito da poupança é fundamental na vida de qualquer pessoa, independentemente do nível de renda.

Após o mapeamento dos seus gastos e agrupá-los em Moradia, Alimentação, Transporte, Lazer etc, passaremos para o segundo passo que é a identificação dos gastos que podem sofrer cortes apenas com mudanças de hábitos, como:

1) restaurantes: passar a comer mais em casa e menos na rua, evitando os restaurantes caros;

2) academia: mudar para uma caminhada na rua ou comprar equipamentos para fazer ginástica em casa. Esta pode ser uma medida temporária até que as contas estejam equilibradas;

3) tv a cabo: talvez você possa mudar para um pacote mais barato e que possa satisfazer as suas necessidades ou mesmo cortar temporariamente a tv a cabo;

4) telefonia: criar hábitos de falar menos ao celular ou mudar para uma operadora com tarifas mais baixas ou para planos mais em conta. As vezes, apenas com uma mudança de plano já é possível diminuir os gastos. Em muitos casos pagamos por planos mais caros, que contemplam serviços que nunca utilizamos;

5) eletricidade: apagar as luzes, trocar chuveiros elétricos por outros, retirar os aparelhos da tomada;

Em suma, devemos identificar os desperdícios e evitá-los. A soma dos pequenos gastos faz toda a diferença.

Qual o problema de se contrair dívidas? O principal é que as dívidas diminuem o seu padrão de vida e, por consequência, o seu bem estar e o de sua família. Por exemplo, os altos juros pagos nas dívidas de cartão de crédito ou cheque especial é um recurso que estaria sendo destinado para outra finalidade, como uma viagem de férias, um novo automóvel, um fundo de previdência ou um novo apartamento. Gastos que aumentariam o seu bem estar e de sua família, mas que acabam indo para uma instituição financeira, enriquecendo terceiros.

Artigo escrito por Gustavo Garcia.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Primeiro aniversário do ABC do Dinheiro

Hoje faz um ano que o Blog ABC do Dinheiro iniciou suas atividades. Em 8 de janeiro de 2011, publicamos os dois primeiros artigos de um total de de 177 (até o momento). Para os amigos que ajudaram a manter este blog durante o ano de 2011 e para os caros leitores que nos prestigiam, nosso muito obrigado.

Durante o ano de 2011, o blog navegou pelos mais variados assuntos, mas nunca deixou de lado seu principal objetivo, expresso no primeiro artigo intitulado O que é o ABC do Dinheiro. Nele podemos ler que "O Blog ABC do Dinheiro tem como missão descomplicar sua relação com o dinheiro, tornando-a mais saudável, sem truques ou promessas milagrosas, apenas com a difusão de conhecimento de educação financeira.".

Foram muitos artigos sobre todos os assuntos afetos às finanças pessoais, com destaque para os artigos sobre educação financeira, impostos, investimentos e previdência. Também não podemos deixar de destacar as calculadoras financeiras, que de uma forma lúdica, rápida e prática auxiliam nossos leitores nas mais diversas situações.

Em 2012 esperamos continuar nosso trabalho, com algumas novidades e contando sempre com a ajuda de nossos leitores e amigos que, por meio do espaço destinado aos comentários, ou através da página "Fale Conosco", contribuíram para o amadurecimento do projeto, seja com críticas, elogios e sugestões.


Mais uma vez, nosso muito obrigado!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fale conosco: compra de imóvel

Nosso leitor LTS, de Curitiba/PR, encaminhou um estudo de caso em nossa página Fale conosco, sobre a compra de um imóvel, que  apresentamos abaixo. Na sequência.

Pedimos também a ajuda de nossos leitores, pois, ao contrário das ciências exatas, não há resposta certa quando o assunto é investimento. Assim, a participação pode levar a uma melhor avaliação da situação de nosso amigo. 

Gostaria que vocês me ajudassem no meu caso. Comprei um imóvel e, mesmo antes de ficar pronto, consegui quita-lo. Infelizmente eu achei ele muito pequeno e resolvi comprar outro imóvel maior... Com a venda do meu primeiro imóvel, conseguirei cerca de 220 mil reais. Já o novo, custa cerca de 490 mil reais, mais que o dobro.



Na primeira fase, pagarei uma entrada de 150 mil reais, com parcelas fixas e sem juros para a construtora, até o habite-se. Sobrando assim, 340 mil reais para financiar. O habite-se está programado para siar em novembro de 2012.



Como eu tenho aqueles 220 mil, eu gostaria de saber qual o melhor jeito de investir esse dinheiro, para me ajudar a pagar as parcelas do financiamento.


Um abraço a todos! E muito obrigado.

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Caro LTS,

Primeiramente, obrigado pelas palavras elogiosas. Para um site que pretende ajudar as pessoas a lidar com dinheiro, esse é nosso maior pagamento.

Em segundo lugar, parabéns pela aquisição do imóvel, ou melhor, dos imóveis. Não se lamente por ter comprado um imóvel e depois ter se arrependido. É natural que nossos desejos sempre superem nossos recursos e não há mal nenhum nisso.

Entretanto, ao assumir uma dívida, temos que ter certeza que teremos plenas condições que cumprir com nossas obrigações (amortização e juros). Portanto, seu relato é fundamental. Primeiro, você comprou um imóvel dentro das suas possibilidades. Depois de quitado, você partiu para um imóvel maior e melhor.

Como dissemos anteriormente, não existe resposta certa quando o assunto é investimento, mas, certos conceitos financeiros podem ajudar bastante. Você tem o privilégio de saber o valor e a data de pagamento de uma dívida futura (R$ 340 mil em novembro de 2012) e isso ajuda bastante.

Com um prazo relativamente curto como esse (dez meses), podemos relacionar os investimentos que você NÃO deve fazer, devido ao risco elevado. São eles: ações, opções, fundos cambiais, multimercados com renda variável e outros investimentos semelhantes.

Restam os investimentos menos arriscados, porém indicados para alguém com um horizonte de investimento tão curto. São eles: Tesouro Direto, CDB's e Poupança.

O Tesouro Direto oferece uma série de títulos públicos com as mais variadas características (posfixados, prefixados, indexados à inflação etc.). Mas, devido ao curto prazo, a opção recai nas Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que variam de acordo com a variação da taxa Selic. Atualmente a taxa Selic está em 11,00% ao ano.

Os CDB's são uma boa opção desde que tomados alguns cuidados. Os CDB's posfixados seguem a rentabilidade dos CDI (que grosso modo tem variação igual à taxa Selic). Geralmente, os bancos oferecem um ágio ou um deságio sobre a Selic. Por exemplo: rentabilidade de igual a 110% do CDI ou uma rentabilidade igual à 90% do CDI. Logo, o investimento em um CDB posfixado só valerá a pena se a rentabilidade for superior a 100% do CDI. Abaixo disso, fique com as LFT (Tesouro Direto).

Já os CDB's prefixados dependem da taxa a ser negociada no momento de sua contratação. Para o período de 10 meses, uma taxa inferior a 7,50% não será satisfatória.

Lembre-se, porém, que o CDB é um título de crédito do banco e sua garantia limita-se a R$ 70 mil, pelo Fundo Garantidor de Crédito. Em outras palavras, se o banco onde você adquiriu um CDB falir, você recupera rapidamente R$ 70 mil. Já o restante...

Tanto as LFT como os CDB, para o período de dez meses, serão tributados em 20% de Imposto de Renda. Ou seja, desconte da rentabilidade projetada para o período 20%, que ficam com o leão.

Já a velha e boa poupança rende 0,50% ao mês, sem o pagamento de impostos. Para 10 meses, os 0,50% ao mês gerarão 5,11%, sem impostos.

Agora é com você. Faça as contas e invista com segurança!

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Filme: Margin Call - O Dia Antes do Fim

Um filme que retrata o período de 12 horas, de pessoas chaves de um banco de investimento, que precede os primeiros estágios da crise financeira que abalou o mundo em 2008.

Trailer:


O Blog ABC do Dinheiro recomenda esse filme!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cartão de crédito: programas de recompensa

Para atrair novos consumidores, bem como para aumentar o uso dos cartões de crédito, muitas administradoras recorem aos chamados programas de recompensa. Nos planos de recompensa mais comuns, o valor da fatura é trocado por pontos e, tais pontos, são utilizado na troca por brindes, assinatura de revistas, eletrodomésticos e passagens aéreas. Parece algo muito bom, mas, por trás dessa aparente bondade, existem algumas pequenas armadilhas que devem analisadas.

A primeira armadilha é que esses programas de recompensa costumam vir acompanhados por uma expressiva elevação da anuidade e, tal aumento, por vezes não é compensado pelas eventuais recompensas que o usuário do cartão de crédito venha a resgatar.

Outra armadilha que pouca gente sabe é que boa parte das administradoras de cartão cobra uma tarifa para o resgate de prêmios. Isso mesmo, você não leu errado: para se resgatar um prêmio você paga uma tarifa!

Outra armadilha comum é que os tais pontos de recompensa geralmente tem validade para o resgate, obrigando o dono do cartão de crédito a resgatar prêmios não desejados. Há casos onde os donos dos cartões de crédito acabam gastando mais do que gastariam normalmente, apenas para acumular pontos suficientes para o resgate de um bom prêmio e isso é exatamente o que a administradora do cartão de crédito quer que você faça.

Gastar mais do que você gastaria normalmente, apenas para resgatar prêmios é uma atitude inaceitável para quem quer ter o controle de seus gastos.

E quando vale a pena adquirir um cartão com um plano de recompensas? A resposta é simples: calcule se os potenciais benefícios (prêmios, milhas aéreas etc) compensam os custos e tarifas, utilizando no seu cálculo seus gastos atuais com cartão de crédito. Nem mais, nem menos. Se a conta for positiva, vá em frente e adquira o cartão de crédito com programa de recompensa. Senão, mantenha o seu cartão atual. Certamente a conta será favorável poucas pessoas.
Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

Outros artigos do ABC do Dinheiro sobre cartão de crédito:


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Programa Educação Financeira - 1ª temporada - Programa 7 - Saindo do Poço


O sétimo episódio da 1ª temporada do programa Educação Financeira é dedicado às pessoas que de tanto se endividar, chegaram ao fundo do poço. Nesse programa são dadas algumas dicas para você dar uma guinada na sua vida financeira. Esse episódio foi ao ar em 19 de setembro de 2009.

O programa Educação Financeira é exibido aos sábados pela TV Cultura (São Paulo) desde 2008. Trata-se de uma iniciativa conjunta da BM&FBOVESPA e da própria TV Cultura, voltada à popularização dos conceitos de economia, finanças pessoais e tipos de investimento.

Para quem não mora em São Paulo, ou não é assinante de TV a cabo que transmite o conteúdo da TV Cultura, é possível assistir aos programas diretamente na internet, através do site http://www.tveducacaofinanceira.com.br. Para facilitar a vida de nossos leitores, iremos retransmitir todos os programas, desde a primeira temporada, pois trata-se de excelente oportunidade de aprender um pouco mais sobre economia e finanças pessoais, através de um excelente produto com conteúdo didático, de linguagem fácil e enfoque bem humorado.




Atenção: o conteúdo deste programa não representa a opinião do ABC do Dinheiro, da BM&FBOVESPA ou da TV Cultura, nem deve ser interpretado como recomendação de investimento ou compra ou venda de ativos.

domingo, 20 de novembro de 2011

Como pagar menos Imposto de Renda?

Os contribuintes do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) podem pagar um valor significativamente inferior de Imposto de Renda na declaração de ajuste de 2012 (ano-base 2011). Basta utilizar alguns dos muitos incentivos que o governo disponibiliza aos contribuintes e que, infelizmente, pouca gente sabe ou faz. Vamos apresentar nesse artigo dois destes incentivos governamentais e a redução do Imposto de Renda a pagar que cada um deles proporciona.

Antes de mais nada, cabe reforçar que o conteúdo desse artigo é exclusivamente direcionado aos contribuintes do Imposto de Renda que utilizam a declaração completa, em outras palavras, contribuintes que possuem despesas dedutíveis superiores à R$ R$ 13.916,36 no ano de 2011 (R$ 1.159,70 ao mês). Os contribuintes que somarem em 2011 despesas dedutíveis inferiores a R$ 13.916,36 devem optar pela declaração simplificada e, nesse caso, pagarão um valor menor de Imposto de Renda.

Para começar, vamos pensar em um contribuinte (João) que receba, mensalmente, um salário de R$ 15 mil. Nosso personagem é casado e tem dois filhos. João paga, mensalmente, R$ 1.000,00 por um plano de saúde para a família. Como todo empregado de empresa privada, João tem retido de R$ 406,09 de seu salário para pagamento do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Agora, vamos calcular IRPF do João.

Nesse caso, joão pagará em 2011, por mês, R$ 2.927,77 de Imposto de Renda, calculado da seguinte forma:

+ R$ 15.000,00 - Renda bruta tributável (salário);
(-) R$ 1.000,00 - despesas médicas (plano de saúde);
(-) R$ 406,09 - retenção do INSS;
(-) R$ 314,94 - dedução de R$ 157,47 por dependente;
= R$ 13.278,97 - Base de Cálculo do IR

IRPF João = R$ 13.278,97 X 27,5% - R$ 723,95 (dedução padrão) = R$ 2.927,77

Agora vamos ao que interessa. Como João pode pagar menos IR em 2011? A primeira opção para se pagar menos IR é investir até 12% de sua renda bruta em um Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL). Tudo o que João investir em um PGBL, até o limite de 12% da renda bruta, será reduzido da base de cálculo do IR!

Nesse caso, João passará a pagar R$ 2.432,77 de Imposto de Renda, calculado da seguinte forma:

+ R$ 15.000,00 - Renda bruta tributável (salário);
(-) R$ 1.800,00 - Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL);
(-) R$ 1.000,00 - despesas médicas (plano de saúde);
(-) R$ 406,09 - retenção do INSS;
(-) R$ 314,94 - dedução de R$ 157,47 por dependente;
= R$ 11.478,97 - Base de Cálculo do IR

IRPF João = R$ 11.478,97 X 27,5% - R$ 723,95 (dedução padrão) = R$ 2.432,77

Ou seja, João pagará R$ 495,00 a menos de IR todo mês, por conta da dedução proporcionada pelo PGBL. Parece pouco, mas quando pensamos no ganho anual, com 13 salários, temos um ganho de R$ 5.940,00!

A segunda opção para pagar menos IR, é destinar até 6% do imposto devido às contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e às contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, dos quais destacamos o FUNCINE - Fundo de Investimento em Cinema.

No artigo FUNCINE: o melhor investimento em 2011? (Atualizado), explicamos passo a passo o que é, como funciona e onde encontrar um FUNCINE.

Voltando ao nosso exemplo, caso João aplicasse em um FUNCINE um valor equivalente 6% de seu imposto devido, seu IR seria reduzido para R$ 2.286,80, calculado da seguinte forma:

IRPF João = R$ 2.432,77 imposto devido - R$ 145,97 (6% do Imposto devido) = R$ 2.286,80.

Ou seja, João pagará R$ 640,97 a menos de IR todo mês, por conta da dedução proporcionada pelo PGBL e pelo FUNCINE. Por ano, considerando treze salários, João pagará R$ 7.691,63 a menos de Imposto de Renda! Sem truques.

Atenção: para obter tais reduções no IRPF 2012 é necessário investir em um PBGL (até 12% da renda bruta tributável) e/ou FUNCINE (até 6% do IR devido), devem se apressar. São aceitos no IRPF de 2012 (ano-base 2011), os investimentos realizados até o dia 31/12/2011. 

Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.