quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Inflação: como calculamos?


No primeiro artigo de nossa série sobre a inflação, explicamos o que é a inflação e como ela afeta sua vida. Nesse artigo iremos explicar como são calculada a inflação, ou, em outras palavras, como são calculados os índices de preços (IPCA, IGP-M, IGP etc).

De maneira didática, um índice de preço (ou índice de inflação) é formado por uma cesta de produtos e serviços, que busca refletir o padrão de consumo de um cidadão comum. Itens como alimentos, moradia, transporte, educação, entre outros, compõem tal cesta de produtos e serviços.

Para exemplificar, vamos supor que desejássemos criar um índice para medir a inflação, o Índice ABC da Inflação. Vamos calcular tal índice passo a passo, tal como são calculados os tradicionais índices brasileiros de inflação:

1º passo: temos que pesquisar os hábitos de consumo de um grupo específico de pessoas. Por exemplo: o leitor típico do Blog ABC do Dinheiro. Depois de pesquisarmos, chegamos à conclusão que tal grupo é formado, na média, por pessoas de bom gosto, elevado grau de instrução, e contam com uma renda mensal em torno de R$ 10 mil reais.

2º passo: definimos uma cesta de produtos e serviços que represente, na média, os hábitos de consumo do nosso público-alvo (1º passo), e pesquisamos os preços de tais produtos e serviços no mercado. Por exemplo:

+ R$ 150,00 água e luz
+ R$ 500,00 supermercado
+ R$ 1.000,00 escola
+ R$ 400,00 transporte
+ R$ 150,00 telefone/internet
+ R$ 2.000,00 aluguel + condomínio
= R$ 4.200,00 Total

3º passo: agora que já temos definida a nossa cesta de produtos e serviços, iremos coletar os preços dos mesmos produtos e serviços mensalmente. Suponha que no mês seguinte a nossa cesta de produtos passa a valer o seguinte:

+ R$ 160,00 água e luz
+ R$ 510,00 supermercado
+ R$ 1.000,00 escola
+ R$ 400,00 transporte
+ R$ 150,00 telefone/internet
+ R$ 2.050,00 aluguel + condomínio
= R$ 4.270,00 Total

4º passo: baseado na variação do custo da nossa cesta de bens e produtos, calculamos a inflação no período. No nosso exemplo, houve uma variação de:

Inflação = 4.270/4.200 -1 = 0,0166 = 1,66%

Pronto! Agora basta repetir o processo mês a mês.


Outros artigos sobre a inflação:

Cuidado! O dragão da inflação está mais vivo do que nunca!
Inflação: o que é e como ela afeta sua vida
Quais são os principais índices de inflação e suas diferenças?
Qual é o impacto da inflação no seu salário e seus investimentos?

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Calculadora: Rentabilidade da poupança

Há algumas semanas o Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central do Brasil (BCB) alterou a a taxa Selic para 10,50% ao ano. A alteração da Taxa Selic tem uma série de implicações para a economia brasileira, mas, para o pequeno investidor, a mais importante das implicações é a alteração da rentabilidade da caderneta de poupança.

A nova regra da poupança só afeta os depósitos realizados após o dia 4 de maio de 2012. Para os depósitos realizados até o dia 4 de maio, vale a regra antiga, ou seja, rentabilidade de 0,50% ao mês acrescidos da variação da Taxa Referencial (TR).


Já os depósitos novos seguem a seguinte regra: a poupança renderá 70% do valor da Taxa Selic, limitados a 0,50% ao mês, acrescidos da variação da TR. Para calcular o valor da rentabilidade da poupança, utilize a calculadora abaixo:

Como utilizar nossa calculadora?

1) coloque o valor do depósito realizado na poupança no campo "Depósito poupança";
2) escolha o valor da Taxa Selic (ao ano);

Pronto! A calculadora mostra qual é rentabilidade esperada para o mês e a rentabilidade esperada para o ano do seu depósito de poupança.


Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Tesouro Direto: novos títulos

O Tesouro Nacional (TN) introduziu hoje (27/01/2014) dois novos títulos públicos no programa Tesouro Direto (TD). São eles:



  • Letra do Tesouro Nacional (LTN), com vencimento em 01/01/2018; e
  • Nota do Tesouro Nacional - série F (NTN-F), com vencimento em 01/01/2025.

Também hoje, deixam de ser negociados os seguintes títulos:
  • LTN, com vencimento em 01/01/2016; e
  • NTN-F, com vencimento em 01/01/2023.

    A LTN com vencimento em 01/01/2018 é um título prefixado, ou seja, na data de seu vencimento seu valor será igual a R$ 1 mil. Portanto, no momento da compra da LTN o investidor fixa o retorno que terá ao carregar o título até o vencimento. Na data de seu lançamento (27/01/2014), tal título rendia 13,11% ao ano.

    Já a NTN-F , com vencimento em 01/01/2025, também é um título prefixado. Porém, além do recebimento de R$ 1 mil por título, na data de vencimento, a NTN-F paga semestralmente juros de R$ 48,81 por título, o chamado cupom de juros. Na data de seu lançamento (27/01/2014), a NTN-F 01/01/2015 rendia 13,37% ao ano.

    Tais títulos são indicados para quem tem um compromisso com data próxima à data de vencimento dos títulos. Por serem títulos prefixados, os preços das LTN e as NTN-F, especialmente quando distantes da data de vencimento, oscilam muito. Portanto, não são indicados para quem não suporta volatilidade. Porém, como dissemos antes, tais títulos valerão R$ 1 mil na data de vencimento. Faça chuva, faça sol.

    Artigo escrito por Flávio Girão Guimarães.

    quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

    Inflação: o que é e como ela afeta sua vida

    Nem parece perigoso...
    Este será o primeiro de uma série de quatro pequenos artigos que visam explicar de maneira simples o que significa inflação, quais são os principais índices de inflação e qual o impacto da inflação na sua vida. Neste primeiro texto será explicado o que é inflação. No segundo, mostraremos como se calcula a inflação. No terceiro texto falaremos a respeito dos principais índices de inflação calculados no Brasil e suas principais diferenças. No quarto e último texto ensinaremos como medir o impacto da inflação sobre o seu salário e a sua renda.

    Quem viveu no Brasil no final da década de 80 e início da década de 90 sabe muito bem como a inflação pode afetar o padrão de vida de uma pessoa. Em 1989, a inflação brasileira chegou a quase 2.000% ao ano! Os preços eram reajustados mais do que uma vez ao dia nos supermercados, gerando a quase necessidade de irmos às compras no mesmo dia em que recebíamos o salário. Foi aí que surgiu o hábito do brasileiro de fazer grandes compras para todo o mês. Quem deixasse as compras para o dia seguinte, acreditem, já não conseguiriam adquirir a mesma quantidade de produtos e gêneros alimentícios.

    Após o Plano Real, lançado no ano de 1994 pelo então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, a inflação se estabilizou no Brasil e não mais atingiu os níveis “estratosféricos” do período que antecedeu ao seu lançamento. Foi uma conquista para os brasileiros, pois, a partir de então passou a ser possível pensar em planejamento financeiro de médio e longo prazo.

    Agora, por que é importante medir o aumento de preços na economia? Ou em outras palavras, por que é importante medir a inflação?

    Se os preços dos bens e serviços que você costuma consumir aumentam e o seu salário não aumenta (ou aumenta menos que o preço dos bens e serviços), você já não mais conseguirá consumir a mesma quantidade de bens e serviços que conseguia consumir antes. Nesta situação, dizemos que houve perda do poder de compra do seu salário e, por conseqüência, diminuição do seu padrão de vida. Por isso é tão importante conter a inflação.

    quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

    Cuidado! O dragão da inflação está mais vivo do que nunca!

    O dragão da inflação está de olho...
    O ano de 2013 acabou e o ano de 2014 já começou com uma notícia nada agradável. A inflação no Brasil encerrou o ano de 2013 em alta de +5,91%. Pelo quarto ano consecutivo, a inflação medida pelo IPCA encerra o ano acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, 4,50%.

    Muitos argumentam que a meta de inflação foi cumprida, já que o sistema de metas de inflação prevê uma margem de ±2,00%, ou seja, que a meta de inflação no Brasil seria de 2,50% a 6,50%. Isso é uma falácia. A meta é de 4,50% e ponto final. Aliás, a própria meta de inflação no Brasil já é, per se, muito elevada. E o atual presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, admitiu isso em seu discurso de posse, em 03/01/20111 (leia aqui).

    Para exemplificar o quão alta é a inflação brasileira, apresentamos abaixo uma relação dos índices de inflação do ano de 2013 das principais economias do mundo, de acordo com dados obtidos no site da OCDE.
    • Turquia - 7,51%;
    • Brasil - 5,91%;
    • México - 3,81%;
    • Reino Unido - 2,61%;
    • Chile - 1,88%;
    • Alemanha - 1,54%;
    • Estados Unidos - 1,42%;
    • Itália - 1,23%;
    • França - 0,86%.
    Ou seja, quando comparamos o Brasil com outras economias em desenvolvimento ou desenvolvidas, vemos que nosso país encontra-se entre aquelas que apresentaram a maior variação dos preços em 2013.

    Quando analisamos o histórico recente da inflação, vemos que, infelizmente, o ano de 2013 não foi uma exceção. Abaixo relacionamos a variação do IPCA entre 1999 (ano no qual o regime de metas foi estabelecido) e o ano de 2013. Para facilitar, vamos marcar em vermelho os anos nos quais o país teve uma inflação igual ou superior à meta. Em azul, marcaremos o ano em que a inflação ficou abaixo da meta:
    • 1999 - 8,94% (meta de 8,00%);
    • 2000 - 5,97% (meta de 6,00%);
    • 2001 - 7,67% (meta de 4,00%);
    • 2002 - 12,53% (meta de 3,50%);
    • 2003 - 8,74% (meta de 4,00%);
    • 2004 - 7,60% (meta de 5,50%);
    • 2005 - 5,69% (meta de 4,50%);
    • 2006 - 3,15% (meta de 4,50%);
    • 2007 - 4,46% (meta de 4,50%);
    • 2008 - 5,90% (meta de 4,50%);
    • 2009 - 4,31% (meta de 4,50%);
    • 2010 - 5,91% (meta de 4,50%);
    • 2011 - 6,50% (meta de 4,50%);
    • 2012 - 5,84% (meta de 4,50%);
    • 2013 - 5,91% (meta de 4,50%).
    Uma inflação persistentemente alta, tal como a apresentada no Brasil, é como uma febre de 39º. Não mata imediatamente, mas vai minando, pouco a pouco, a saúde financeira do país. Com a inflação persistente, há a permanente desvalorização do Real, com a consequente elevação do preço dos produtos e serviços importados, há a diminuição dos investimentos no setor produtivo, que tem maior dificuldade para orçar seus custos e receitas no longo prazo, há a elevação da taxa nominal de juros e consequentemente a elevação da especulação financeira, etc.

    Para saber um pouco mais sobre esse fenômeno, bem como os efeitos da inflação às empresas e às pessoas, vamos republicar uma série especial sobre a inflação, escrita em 2012.

    sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

    Infomoney: Armadilhas Financeiras

    Segue abaixo um extrato da Missão do ABC do Dinheiro, disponível na página Quem Somos?:

    "No Blog você vai encontrar dicas para economizar mais e investir melhor. São conselhos e opiniões sobre suas finanças, imposto e herança, seguros e previdência, que seu gerente de banco ou não quer, ou não pode, ou não sabe dar."

    A reportagem Armadilhas Financeiras, de Diego Lazzaris, Gladys Magalhães, João Sandrini, com ilustrações de Alexandre Lucas, para o portal InfoMoney, vem de encontro à nossa missão, pois apresenta uma série de armadilhas financeiras feitas especialmente para você. Leia a reportagem aqui.

    quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

    Calculadora: conversão de taxas de juros

    Se o meu cartão de crédito tem uma taxa de juros mensal de 10%, quanto será a  taxa de juros equivalente em um ano? Se a minha poupança render a uma taxa média mensal de 0,60%, qual será o rendimento equivalente em um ano? A taxa Selic está fixada em 9,00% ao ano. Qual será a taxa Selic mensal? O ABC do Dinheiro disponibiliza uma calculadora que fará todos estes cálculos de maneira rápida e fácil para você. Divirta-se!

    Como utilizar nossa calculadora?


    1) Transformação taxa anual: você insere a taxa de juros anual que você deseja transformar e a calculadora mostra quais seriam as taxas equivalentes no semestre, mês e dia, utilizando o calendário de dias úteis (252 dias).

    2) Transformação taxa mensal: você insere a taxa de juros mensal que você deseja transformar e a calculadora mostra quais seriam as taxas equivalentes no ano, semestre e dia, utilizando o calendário de dias úteis (252 dias).